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afonsonunes

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Somos um país de gente inteligente, no dizer de especialistas e estudiosos da pessoa humana. Provam-no os muitos portugueses que singram cá dentro e lá fora em áreas onde a inteligência não sofre qualquer contestação.
Apesar disso deparamos a todo o momento com uma certa casta de espertos que não vêem senão gente estúpida à sua volta. Para esses, toda a gente é estúpida, excepto eles próprios, uns porque tudo o que fazem é estúpido, outros porque se manifestam contrariamente à opinião dos privilegiadamente espertos.
Conclui-se que os espertos são todos inteligentes, logo, não são estúpidos. Estão, portanto, dentro dos parâmetros do português normal, que é ser inteligente. Já os outros, os estúpidos, não se enquadram no protótipo de português, sinónimo de inteligência e aqui é que não bate a bota com a perdigota.
Há estúpidos a mais no meio dos espertos inteligentes.
Talvez esta contradição seja fácil de justificar.
Neste país, os espertos, e até mesmo os chico espertos, são suficientemente estúpidos, para constituírem a excepção à regra, visto que são uma minoria dentro da população no seu todo.
Os outros, a maioria, são tão inteligentes que os deixam falar até ficarem roucos, sem que alguém se preocupe com o que dizem, tanto eles como a pequena orquestra que os acompanha no seu arrazoado de estupidez feito.
Enquanto a inteligência é calma, serena e ponderada, a estupidez é ruidosa e excitada, com momentos de fúria e raiva que já não assusta ninguém, como eles sempre pretenderam.
Isso não impede que continuemos a ser um país de gente inteligente, educada e cordial, mesmo quando a estupidez tenta provocar a inteligência.
Quem atura pacientemente os estúpidos não tem, necessariamente, de ser estúpido também, para viver no meio deles.   
Não está provado que a estupidez ou a inteligência se transmita por contágio.
Assim, cada qual, sem receios, pode situar-se onde se sinta melhor.