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afonsonunes

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Concordo plenamente com quem diz que ninguém é de ninguém, embora a toda a hora se depare com quem se julga no direito de ter os seus, o que indicia, desde logo, que alguém tem de ser de alguém. Alguém tem de ter dono, e o dono é aquele que diz que tem ali os seus, às suas ordens, provavelmente, julga ele, para todo o serviço.
Ora, como é evidente, estamos a falar de pessoas, que até terão ideias próprias e não terão passado escritura de posse, seja lá a quem for. Isso não impede que os donos, que se arvoram em pessoas que não se vergam a ninguém, imaginem lá na sua, que outras pessoas, os seus, se vergam à sua vontade.
É bem conhecido o caso de um deputado socialista que diz que a ele ninguém o verga. Deve ser o deputado mais estimado de toda a oposição, exactamente, porque, com os seus, cria problemas ao partido e ao governo. Também deve ser o deputado que tem tanto de independência, como os seus, têm de dependência em relação a ele.
Ora, se bem interpreto, quem é capaz de exigir que os seus sejam beneficiários de tratamento especial, só porque são os seus, então isso cheira-me a uma espécie de chantagem sobre quem tem de tomar decisões no partido. Se não for isso, será, no mínimo, aquele jeito de quem vive permanentemente à procura da melhor cunha para segurar os seus.
Mais recentemente, no maior partido da oposição, tornou-se evidente que também há os dela, e há os que ela não quer. Aparentemente, terá tentado fazer uma complexa operação de limpeza, varrendo, não um, como no partido rival mas, muito mais difícil, um número ainda não bem definido de varridos.
Os inconformados da rejeição e os seus amigos e companheiros de outras guerras, que são os que já estiveram com ela, parece que dão mais valor a quem foi borda fora, que àqueles a quem coube a honrosa escolha de permanecer. Obviamente, os dela. Por outro lado, também há quem pense que essa estranha e inesperada operação de limpeza, a não ter corrido lá muito bem, ficou a dever-se apenas à inferior qualidade da vassoura.  
Contudo, muito mais preocupante, são as notícias que correm, anunciando que em Belém, também já há sinais de que há os dele e os do outro. A ser assim, serei levado a pensar que ele não prescinde de tudo aquilo que lhe compete, exigindo o maior rigor, na interpretação das suas competências. Pelo contrário, parece-me haver um desejo incontido de meter o nariz em tudo, ainda que isso seja da competência do outro.
Os dele aparecem assim como intocáveis, nos quais não se pode sequer pousar o olhar, ainda que eles estejam a dar-nos o maior espectáculo do mundo. Os do outro, são sempre olhados como os perturbadores desse espectáculo, que nem sempre interessa que tenha espectadores ou assistentes.
É por isso que, em primeiro lugar, estarão sempre os dele, quer no seu indiscutível critério, quer no conceito de meio mundo, que é o universo dos seus.
Em segundo lugar estarão, não só os dela, mas também os que ela rejeitou, pois entre estes, ficaram também alguns dos dele que, estando em primeiro lugar, também não abdicam do segundo.
Depois, ainda há quem fique estupefacto por haver indícios de que o outro também quer ter os seus. Mesmo que os tenha, ou queira ter, nunca irá além do terceiro lugar.