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afonsonunes

afonsonunes

17 Ago, 2009

Só sei...

 

Não vale a pena estar a tentar descobrir aquilo que já é conhecido há muitos, muitos anos, querendo imitar quem sabe tudo, mas que nunca soube ensinar nada de útil a ninguém, para lá da sua profunda ignorância, disfarçada de petulante e loquaz armação aos tordos.
Sei que há quem não saiba o que são tordos, mas também sei que nem por isso deixa de haver armação. Daqui se deduz que já sei alguma coisa, logo, deixo de poder afirmar que nada sei. Esta conclusão, retira-me imediatamente do círculo dos pensadores que só sabem que nada sabem.
Não estou muito preocupado com isso, pois o saber de alguns, é igual à ignorância de outros, se atendermos à excessiva preocupação que demonstram em querer convencer os seus interlocutores de que sabem mais que eles.
Para esses, justificava-se o pensamento de que, só sei que sei mais que tu, isto para não ir mais longe, até junto daqueles que pensam que, só sei que já sei tudo. Só é pena que sejam poucos mais que eles, a chegar a essa enganadora conclusão.
Nesta época de férias, bem precisávamos de uma boa dose de serenidade e bom senso para enfrentar as agruras de mais um ano, que só será fácil para todos aqueles que nos enchem os ouvidos com as suas patacoadas, tão ridículas, quanto cheias de venenos que tentam injectar através das suas línguas armadas em seringas mais ou menos coloridas, tipo cada cor, seu paladar. Mas as picas são quase todas iguais.
Da maior parte daquilo que eles dizem, ou picam, só sei que nada sabem, se excluir aquilo que eles sabem que não é verdade. Tudo por causa do veredicto popular que aí vem. Até lá, uns estarão de férias, outros estarão a estragar-nos as férias.
Ao contrário daquilo que eles pensam, quem anda a armar em estúpido, não são aqueles que os ouvem, ainda que muitas vezes lhes batam palmas, ou lhes lancem um sorriso que, muitas vezes, não passa de um risinho que é mais de escárnio, que daquela aprovação que eles tanto têm como certa.
Só sei que ninguém vive apenas daquilo que pensa, sobretudo quando as raízes do pensamento se desviam para áreas mais ou menos pantanosas, onde não recolhem o sustento indispensável à sua sanidade mental.
Ainda não sei, mas espero vir a saber em breve, o motivo porque anda tanta gente a enganar-se a si própria, com a ilusão de que a mentira é um dos garantes do futuro, seja lá de quem for.
Só sei que a mentira se assemelha, em muitos aspectos, aos palhaços que tentam divertir-nos. Além de que a mentira pode ser uma terrível palhaçada podendo, também ela, imitar o palhaço do circo. É verdade. Se há o palhaço rico e o palhaço pobre, também há a mentira de rico e a mentira para o pobre.
Só sei que nada sei. Mas, neste mês de férias e de mentiras, já sei distinguir as mentiras dos palhaços. Dos palhaços ricos que não deram férias à língua, das mentiras para enganar os pobres, principalmente, aqueles pobres que ainda não ouvem lá muito bem.
Só sei… Pois, já ouvi isto, e até sei onde e a quem.