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afonsonunes

afonsonunes

26 Ago, 2009

Vivam os solteiros

 

Começa a ser complicada esta coisa das uniões entre pessoas, seja lá qual for a forma como elas as pretendam materializar. A vontade já não conta muito, porque há quem pense que, por mandar em muita coisa, também pode mandar uni-las segundo a lei que tem enfiada na ilustre cabeça de comando.
Dantes, o padre mandava casar e as pessoas casavam. Agora, o padre manda casar e as pessoas juntam-se ou, para chatear o padre, ajuntam-se. Sim, lá se vão juntando duas a duas, sem ter de passar pela complicação de reuniões que nunca mais acabam, de sermões que lhes tiram o sono e de papeladas que nunca mais acabam e custam dinheiro.
Do lado do padre estão os casados, do lado dos ajuntados estão os descomplicados. Do lado do padre estão os unidos pelo santo sacramento do matrimónio que, em princípio, é para toda a vida mas, cada vez mais, é para menos dias. Do lado dos juntos, estão os unidos que se querem desunir, se necessário, tão depressa como se uniram, sem terem de gastar dinheiro com o padre e com o advogado.
Do lado do padre estão a Maria e o Aníbal, porque dele receberam a bênção que os fez felizes e acham que até nem gastaram muito dinheiro com o casamento, atendendo a que foi realmente para toda a vida. Daí que sejam contra os ajuntamentos, mesmo que sejam dos outros, mesmo que seja aquilo que os outros querem.
O José e a Fernanda esqueceram o que lhes queria dizer o padre e, de facto, fizeram uma união em que apenas tiveram em conta as suas vontades. É evidente que o padre não gostou. Ninguém pode afirmar que foi apenas uma questão de perder freguesia. Mas, facto é que os amigos do padre também não gostaram nada da coisa.
E, ainda agora, andam lá com essa atravessada, porque uns querem união sem casamento e outros querem união só com casamento. Vai daí, a converseta já subiu de tom e de nível, pois o padre já se calou e passou a falar o bispo que, por sua vez, já passou a palavra para cima.   
Tanto para cima que, sem se saber como, a Maria e o Aníbal, casados e bem casados, manifestaram o seu desagrado aos ajuntados Fernanda e José, que até se chatearam com o desagrado daqueles. Até parece que não tinham mais nada para dizer uns aos outros, senão andarem para aí a falar da vida e da união de cada um.
Cá para mim, isto das uniões é um falso problema. É que se vê a cada momento que, de facto, cada união é um caso. Também se pode dizer que cada união é um facto. Ora se assim é, não compreendo porque se não unem todos em boa união, como eu ouvia dizer há muitos anos. Sim, o que era preciso era haver união. Mai nada…
Mas, se assim não querem, então sigam a minha doutrina, que não é radical, não é demagógica, nem custa dinheiro a ninguém. Simplesmente, não se casem, nem se ajuntem, desde que não se esqueçam da prole. Fiquem solteiros para toda a vida.