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afonsonunes

afonsonunes

04 Set, 2009

Se eu visse

 

Se eu visse Fidel de Castro de mão dada com Mussolini ficava de boca aberta. No entanto, a minha boca ainda está fechada, sinal de que, nem nunca vi tal fenómeno, nem me consta que alguém tivesse visto coisa semelhante. É claro que talvez haja um certo exagero na mão dada, mas significaria o mesmo, se ambos manifestassem opiniões concordantes em causas comuns.
Nenhum desses dois andou por aqui a moer-nos o juízo, e ainda bem, mas há quem diga que tivemos cá um, que valia mais que aqueles dois. Nessa altura, toda a gente parecia estar de acordo com ele, excepto aqueles que arranjavam maneira de ir escapando à perseguição.
Hoje, as coisas já mudaram bastante, pois muitos daqueles que hoje perseguem, queixam-se de serem perseguidos, mas são eles que até perseguem as sombras dos seus próprios pensamentos criativos, sobrepondo-se aos mais elementares direitos da pessoa humana. Queixam-se de quem manda, mas eles não obedecem a nada nem a ninguém. Nem à sua própria consciência, se é que alguma vez a tiveram.
Depois, formam uma espécie de bando, onde se juntam elementos tão próximos como foram Fidel e Mussolini, com o objectivo único e exclusivo de eliminar quem julguem que lhes tolhe as ganâncias e os excessos, que usam para impedir caminhos que devem estar abertos a todos os cidadãos.
O bando, ou grupo, tem a mente permanentemente armadilhada para reagir ao primeiro acontecimento que detone e mereça atenção, disparando de imediato todos os mísseis sobre o alvo que têm desde há muito predefinido, sem esperar que assente a poeira e permita ver a verdadeira origem desse acontecimento.
Para o bando, ou grupo, um simples pirilampo na noite é, de certeza absoluta, um marciano que vem destruir a terra, por ordem inequívoca do seu inimigo de estimação. Não importa que dois deles pensem que a luz é intermitente, enquanto os outros dois pensam que é fixa. Para os quatro é, simplesmente, fixe, porque dá para destruir o alvo do seu ódio comum, e acabar com o comum e permanente ranger de dentes.
O bando, ou grupo, exige todas as garantias dos seus direitos e defesas, mas não permite a mínima hipótese de defesa a quem é atacado inexoravelmente. Para eles, é atacar e matar, mesmo que seja de olhos fechados, mesmo que seja na escuridão dos seus pensamentos.
Se me contassem, eu não acreditava em tais alianças e em tais métodos, por mais que discordasse ou concordasse com quem faz, e com quem não concorda com o que se faz. Até os criminosos têm direitos, até os caluniadores têm liberdade para caluniar, até os nazis podem abraçar os judeus. Apenas o alvo dos seus ódios tem de permanecer impedido de defender-se, para que melhor lhe possam bater.  
Se eu não visse, não acreditava. Acabem com os tribunais, acabem com a investigação, acabem com todos os órgãos de poder. Neste país, a funcionar assim, nada mais é preciso que um bando, ou um grupo, mesmo que só se entendam num único ponto, com poderes ilimitados para julgar, condenar e executar a sentença de imediato. Tudo, à primeira vista. Que bela democracia a destes democratas.
Se é isto que eles têm para me dar, o medo que eles têm de que se metam com eles, é o mesmo que eu tenho, quando penso no que eles podem vir a fazer, se os deixarem vir a mandar.