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afonsonunes

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Ainda há muita gente viva que combateu o fascismo. De entre esses, há aqueles que têm a noção de que esse tempo já lá vai, pois hoje em dia os grandes problemas políticos passam por outras lutas e por outros combates, bem diferentes dos do tempo do fascismo.
Quem for realista não mais pode ficar agarrado à ideia de que o seu partido já não é nada daquele partido que combateu o fascismo. Pois, é verdade que não. E ainda bem, porque os tempos são outros completamente diferentes e, sobretudo, aqui, no nosso país, o tempo das ditaduras e dos fascistas também já lá vai. Embora andem por aí uns híbridos, que não sabem o que é, e muito menos o que foi o fascismo, a chamar fascistas aos outros.
Mas, fascistas, quero crer que já não temos. Provavelmente, com muita pena de certos saudosistas que passam a vida a enaltecer os seus feitos e os seus sacrifícios em prol da democracia. Isso é uma coisa que tem dois lados completamente distintos. Em primeiro lugar, o orgulho, legítimo, de terem contribuído para uma causa libertadora que lhes devemos. Em segundo, o saudosismo de já não se sentirem no centro das atenções, procurando permanentemente o fantasma do fascismo para se mostrarem, muitas vezes em bicos dos pés. Reprovável.
Na verdade, estes últimos, parecem andar à procura daquilo que já não existe, e não conseguem libertar-se dessa ideia de que nunca mais vão encontrar o que já morreu. Porque uma coisa é andarem por aí uns candidatos a ditadores, outra coisa é alguma vez virem a ter a possibilidade de o serem na realidade. Além disso, um ditadorzinho qualquer não é, nem nunca será, um verdadeiro fascista.
Bom seria que quem ainda se preocupa com o fascismo e com a ditadura, se preocupasse com os vigaristas que minam e destroem as bases da democracia, privando o estado democrático de poder desempenhar cabalmente a função social, através de uma distribuição justa da riqueza produzida no país. Basta dizer que, se não houvesse vigaristas, não haveria défice. Tanta gente a esquecer este dado importante.
Vigaristas que ainda têm muitas maneiras de se dissimularem no meio da sociedade, quantas vezes acenando com os fantasmas de outrora, para que se não vejam os fantasmas que eles escondem dentro da auréola de prestígio que conseguem meter nos olhos de quem não sabe ou não quer ver.
É tempo de deixar em paz, onde já estão, os fascistas e o fascismo, porque o mundo mudou, e os poucos que ainda se arrastam moribundos, são cadáveres transportados por irracionais a caminho do cemitério, onde já repousam as suas ideias e os resultados da sua passagem pelo mundo falecido que os manteve.
Não queiram os nossos revolucionários do tempo da ditadura ainda vivos, voltar a ser os heróis que já foram, com o argumento de que só eles é que foram corajosos, não lhe tirando o mérito de o terem sido. Mas, perguntem à sua consciência se fizeram sempre o que deviam, depois de triunfarem na luta pela democracia.
É frequente ouvi-los, principalmente, alguns velhos comunistas e socialistas, com discursos tão velhos como as suas vozes débeis, quererem convencer-nos de que os dirigentes que lhes sucederam nos seus partidos deviam seguir-lhes o exemplo, e lutarem como eles lutaram.
Claro que isso não é comigo mas, como observador, parece-me bem perguntar a esses inconformados lutadores, contra quem devem lutar os seus sucessores? Também me parece que, nas suas idades, alguns devem é gozar as suas reformas, porque o muito falar também cansa. Obviamente que isto só se aplica a quem fala só, e sempre, da mesma coisa.
Resta-me dizer que continuo a gostar muito de ouvir e ler quem sabe o que diz, independentemente da idade e dos partidos por onde passaram.