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afonsonunes

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06 Set, 2009

Quem vai à guerra

 

Guerra é coisa que não devia mesmo existir, com excepção daquelas guerras de alecrim e manjerona, que tanto nos divertem e tanto ajudam a subir a tensão, a quem vive com ela permanentemente em baixo. Guerra é coisa que tem mesmo de existir, quando temos de recorrer a ela para combater tudo o que nos ameaça a saúde e até a vida, já para não falar quando nos moem o juízo.
Quem vai à guerra dá e leva pois, é normal e natural que, uma vez metido nela, enquanto se vai dando, também se vai levando. E mal de quem se fica à primeira que leva, quer se fique por medo ou cobardia, quer se fique porque já nunca mais poderá dar em ninguém. Sinal de que lhe deu o badagaio.
Mas, nestas guerras de conversa, o mais natural é que se vá dando e se vá levando, sem mais consequências que não seja um ou outro bigode aqui e ali, quando se quer dar o que se não tem, ou se leva do que se não gosta. Mas, lá diz um meu considerado amigo, de que me não lembro agora o nome, aguenta que é serviço.
Contudo, há uma coisa que me faz muita impressão. Porque há quem julgue que pode dar à vontade, sem que ninguém, dentro da mesma guerra, lhe possa sequer tocar com uma palavrinha, que não seja de exaltação das suas armas abençoadas pela fé e pela moral, que lhe dão a visão de que se encontra numa guerra santa. Atenção, que não estou a falar de quem muitos julgam, pois as aparências iludem.
Para essa gente, a guerra só serve para dar e nunca para levar, por mais que faça por merecer umas boas espadeiradas na cabeça, por vezes demasiado eriçada e a jeito de alguém a alvejar. Mesmo que nela tenha enfiada a protectora carapuça de rede metálica, que a sua condição de guerreiro especial lhe garante.
Todos sabemos perfeitamente que a guerra é alta competição e, muito mais alta ainda, quanto mais altas forem as figuras centrais que nela se envolvem, ainda que de uma forma dissimulada, deixando a visibilidade das suas armas a cargo dos seus lugares tenentes, ou dos majores que orientam os seus exércitos.
Entre os guerreiros de segunda linha, ou da segunda divisão, é frequente encontrarmos assanhados contendores que em tudo vêem arrogância, ainda que não seja mais que a resposta, por vezes simpática demais, à sua própria arrogância. Cuidado, que a arrogância não é exclusiva de ninguém. Por vezes parecem competidores sem classe, guerreiros de uma guerra que só pode merecer a derrota.
Porém, nesta competição da pré eliminatória da guerra dos tachos, todos esperam conseguir um, para eles e, quantos mais melhor, para os guerreiros inflamados das suas hostes. É por tachos que eles lutam, é por tachos que eles combatem, é por tachos que eles fazem esta guerra que parece sem quartel, mas com quartéis municiadores por tudo quanto é sítio, no país inteiro.
A fase eliminatória da guerra vem a seguir. Aí, ficará definido quem mais deu e quem mais levou. Quem mais deu, mais vai receber, visto que o dar no adversário, significa que o deixou vencido. Na guerra, quando se leva, fica-se com o corpo dorido, pois aqui ninguém morre por levar no toutiço.
Finalmente, após as eliminatórias, vem a distribuição dos troféus de guerra. As taças são tachos de todos os tamanhos e feitios. Como nas outras competições, há taças para os vencedores, miniaturas para os vencidos e medalhas para todos os guerreiros pois, no final, não há maus guerreiros a eliminar.
Todos fazem falta para a próxima guerra.