Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Esta é uma frase muito utilizada pela gente do povo para libertar a sua ironia quando alguém está a tomá-lo por Zé Povinho e, se for necessário, lá vai um manguito dirigido aos espertalhaços que julgam que o são mais que ninguém.
Ora, à nossa volta anda uma onda de vírus que circula através de boatos e contra boatos, de recados e contra recados, de parvoíces e contra parvoíces. Tudo isto, muito mais virulento e violento que o vírus da gripe A, ao que nos dizem, bastante benigno, para o cagaçal que se vai fazendo por aí.
Que me desculpem os mais aristocráticos, mas não resisto a ser, no mínimo, tão popularucho como tantos que tenho de ouvir, mesmo que tentasse evitá-los. Por exemplo, eu conheço bem os problemas ou, eu estou muito atento. Haverá lá coisa mais pândega que esta? Coisas dessas, até eu posso dizer.
No meu entender, era muito mais salutar dizer de caras, eu conheço-te de ginjeira. Mas, cuidado, isto não se diz apenas, e unicamente, em relação a uma pessoa, senão lá se vai a universalidade do conhecimento que, por essa via, ficaria muito restringido e personalizado.
Depois, também eu conheço de ginjeira quem diz umas asneiras valentes e, de seguida, tenta colá-las à boca dos outros, como se tivesse descoberto um grande trunfo para jogar contra o adversário. Parece-me até, que isto se assemelha um bocado àquela situação do sujeito que deita foguetes, só para ter o prazer de, a seguir, apanhar as canas.
Também conheço de ginjeira uns sujeitos que, em alturas de especiais sensações políticas, gostam de se pronunciar ao jeito do que lhes interessa, sendo que, muitas vezes, o que mais lhes interessa, é aparecerem escarrapachados nos meios de comunicação social.
Também sei de ginjeira, e eles também, que isso só acontece, se vierem ao viés das suas convicções normais, isto é, se meterem umas farpas nos seus actuais ou anteriores partidos. Ora, trocando isso por miúdos, tal não passa de uma boa maneira de os seus nomes serem bem ou mal usados na campanha.
Sei ainda de ginjeira que a importância dos nomes e a cor partidária que os caracteriza, é muito diferente para o realce que lhes vão dar nessas campanhas. Não gosto muito de citar nomes mas, desta vez, não resisto. Esclareço bem, que as comparações se referem apenas, e exclusivamente, a importância de campanha eleitoral.
Alguém duvida que um Manuel Alegre vale mais que dez Moita Flores? Ou que um Pina Moura vale vinte vezes mais que uma Paula Teixeira da Cruz? Ou que aquela molhada do BPN e seus amigos, com Dias Loureiro e respectivo chefe à cabeça, não valem nada contra um qualquer zero à esquerda do partido rival?
É de ginjeira que eu conheço o país e os problemas que o afligem. É de ginjeira que eu sei que nada se resolve com as minhas garantias de que conheço tudo e mais alguma coisa. Sendo eu, um sabedor nato, podem estar tranquilos, porque eu vou estar sempre muito atento, mas não vou poder fazer mais nada do que isso. Até porque podia sair da grossa. Sim, mas eu sei que muitas vezes devia estar calado, mas também tenho as minhas tentações.
Finalmente, sei de ginjeira que também não esperam mais nada de mim, nem ligam muito aos meus recaditos de Verão.