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afonsonunes

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29 Ago, 2008

A crise do viagra

 

A crise do viagra
 
Os portugueses são os maiores heróis do mundo. Estão a bater todos os recordes de crises, ao ritmo surpreendente de uma por dia. Haverá quem diga que consegue uma performance muito melhor, mas convém esclarecer que essa gente é especial, porque consegue ter dupla ou tripla nacionalidade, razão pela qual não se insere no protótipo do português de gema. Aquele português que é diferente do espanhol, do francês e do italiano. Para só citar três casos.
O português é diferente dos outros porque tem um Sócrates, pai de todas as crises, muito diferente de Santana e Barroso, seus gloriosos antecessores, bem como muito diferente de Zapatero, Sarkozy e Berlusconi, seus colegas de governos que não sabem o que são crises nos seus países.
O português médio é muito diferente dos dirigentes da Comunidade Europeia e de outros organismos internacionais que teimam em apontar o dedo acusador às pessoas erradas deste país a abarrotar de crises, que têm um único causador, devidamente identificado e a quem chama de Sócrates.
Muito diferentes de Sócrates são também os aspirantes Leite, Jerónimo, Portas e Louçã, que estão em perfeito consenso de que toda e qualquer crise se resolve numa simples comunicação ao país, através da televisão estatal que, segundo o presumível pensamento comum, serve para isso mesmo.
Para exemplo, temos a crise do papo-seco. Num país de obesos, faz todo o sentido substituir o papo-seco por vegetais. Só o primeiro-ministro não compreende isto. Sim, porque bastava que ele dissesse na televisão estatal que os portugueses não podem reduzir a dose de pão, por causa dos pobres industriais do sector. Perdão, talvez eles não sejam pobres. São capazes de ser da classe média, porque também eles já não têm dinheiro para a carcaça diária que igualmente já falta ao conhecido feirante que vemos todos os dias nas televisões.
Outro exemplo flagrante da pobreza generalizada que Sócrates introduziu no país foi o mau hábito de toda a gente andar permanentemente pendurada no telemóvel, quer se trate de crianças que ainda mal sabem falar, quer se trate de adultos que já não sabem o que dizem. É uma outra espécie de crise que podia resolver-se com uma comunicação ao país através da televisão estatal.
Porém, mais eficaz que todas as palestras televisivas, é a crise oral da demagogia e da estupidez que nos ilumina o caminho para o futuro, pois a burrice do bom senso já fez história. Agora é tempo da burrice da mentira, para vencer todas as crises passadas, presentes e futuras.
A próxima, a mais difícil, a mais temida, a que levará à queda inevitável de Sócrates, será a crise do Viagra. É fácil de ver que quem não tem dinheiro para suportar o aumento de três cêntimos por papo-seco, terá de passar muitos anos sem uma embalagem do milagroso prazer. E, logicamente, sem prazer, não há português que perdoe ao primeiro-ministro. Sim, porque isso da procriação foi chão que deu uvas. Já nem com viagra lá vai.