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afonsonunes

afonsonunes

18 Set, 2009

É mesmo fixe

 

Se me perguntassem porquê, eu diria que, por cá, as coisas têm de ser assim mesmo. Tontas, grossas e a tender para a malandrice. Mas, ao que parece, toda a gente gosta, portanto, tem de ser assim mesmo. Mesmo bué fixe.
Pois, assim em jeito de dar forte e feio nos políticos, especialmente naqueles que estão no poder. Dizem certas pessoas, a quem isso interessa especialmente que, lá fora, ainda é muito pior ou, que os políticos de cá, ainda estão muito pouco habituados a lidar com esses costumes. Costumes fixes, como é óbvio.
Não faço estudos de opinião cá dentro e muito menos lá fora. Penso no entanto que, se lá fora, acham que isso lhes dá muito gozo, o problema é deles, tal como é dos que, por cá, também se fartam de gozar com as gracinhas ou graçolas dirigidas aos políticos.
É sabido que parece que já ninguém estranha tal situação, incluindo os próprios visados que, para não lhes somarem mais uns tantos epítetos cheios de graça, fazem de conta que não ouviram nada, ou então fartam-se de rir, embora se adivinhe facilmente o que lhes vai na alma.
Ser humorista hoje, é ter uma boa dose de saber transformar factos políticos em ditos anedóticos ou pior que isso, como se os visados não fossem gente normal, exercendo uma função que não deve ter mais nem menos dignidade que qualquer outra função, isto considerando que as leis não lhes dão mais dignidade mas sim, mais direitos.
Se um político disser uma piada, mesmo muito ligeira, sobre o trabalho do humorista, é certo e sabido que haverá um processo judicial. O mesmo se verificará se o político responder a um sindicalista no mesmo tom em que é interpelado. Podíamos dizer o mesmo, no caso de um juiz, de um militar, de um professor, de um funcionário, de qualquer um que tenha dinheiro para ir até à justiça. Ah, esquecia-me do jornalista.
Resumindo e concluindo, qualquer pessoa de bem ou de mal, tem direito ao bom nome, excepto se essa pessoa for um político. Esclareço que estou a falar de respeito pelo bom nome e não de qualquer limitação ao direito à crítica sobre o trabalho desempenhado. Lá refere o ditado militar que, serviço é serviço e conhaque é conhaque. Pois bem, parece-me, a mim, que há muito quem tenha conhaque a mais num cantinho reservado do serviço.
Mas também há muito conhaque na cabeça de quem não faz nada na vida, senão massacrar o juízo dos outros, quantas vezes daqueles que os sustentam. Com muitos sacrifícios. Mas sempre com muita dignidade. Por vezes com muita paciência e compreensão.
Cá para mim, ridículo, ridículo, é quando um político pretende seguir o caminho de quem o ridiculariza, dizendo que até aprecia essa pretensa boa disposição, ou sentido de humor, quando lá dentro tem o sangue a ferver.
Toda a gente concorda que os políticos estão muito descredibilizados. Cá dentro e lá fora. Pudera, a tratá-los assim, como se fossem o lixo do país que servem, não se podia esperar que fossem ídolos de quem os minimiza a todo o momento.
Depois ainda há quem se admire da elevada taxa de abstenção nos actos eleitorais. Cá dentro e lá fora. Nem seria de esperar outra coisa quando ouvimos uns arremedos de triste humorismo presidencial, que depois virá com toda a seriedade, convidar todos os portugueses a irem às urnas em massa.
Agora fixe, mas fixe mesmo, é a cara dos cómicos líderes, frente aos aprendizes fedorentos. É o máximo, meu.