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afonsonunes

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21 Set, 2009

Dois contra dois

 

Nada mais natural, nesta corrida que termina no final da semana, com a ida às urnas de voto, ou a qualquer sítio mais apetecível para quem se esteja nas tintas para o que vai acontecer a seguir.
É claro que há muitos contra muitos mas, o que está a dar, e desde há muito tempo, é haver muitos contra um, o único imbecil deste país, onde muitos outros andam camuflados de pessoas de bem.
É natural que haja um contra uma e uma contra um. É natural que houvesse uns tantos contra outros tantos. É a lei da concorrência porque, infelizmente para eles e para ela, há apenas uma cadeira disponível. Os outros terão de continuar de pé, até à próxima.
Agora, o que mais me impressionou, foi ver que já temos uma referência nova quanto aos valores da liberdade e da democracia. E, tal como já sabia há muito, temos a confirmação da referência do topa tudo.
Mário Soares e Manuel Alegre, duas referências na liberdade de expressão e pensamento de antes e depois do 25 de Abril, passaram agora a coniventes na asfixia democrática, segundo a novíssima descoberta da nova referência revolucionária pela liberdade, chamada Paulo Rangel.
Quanto ao topa tudo, o inimitável Marcelo dos domingos à noite, acaba de descobrir o tempo de espera de dois anos e o tempo de mudar já. São dois conceitos muito inteligentes, que não está ao alcance de qualquer um, penetrar nesses mistérios insondáveis de mentes indecifráveis.
Mário Soares e Manuel Alegre não inventaram agora nada de novo, apesar do primeiro se ter lembrado de falar em desgraça, em fanática e em irresponsável, e o segundo ter feito uma espécie de segundo regresso ao lar, depois de umas incursões pelo reino das novas experiências, quiçá novas oportunidades.
Ora, comparando estes quatro figurantes da nossa história, fico eu, pelo menos, impressionado com o burburinho que se instalou na minha mente, quanto ao grau de receptividade dos feitos de cada um deles, de forma a compreender quais estarão a meter o pé na argola, como diria o meu vizinho lá de baixo. 
Em face disto tudo, pergunto ao meu espírito confuso, como é possível dois intransigentes lutadores de uma vida toda, passarem a ser agora os asfixiadores da liberdade de Paulo Rangel que, felizmente, até tem liberdade de dizer as asneiras que lhe vêm à cabeça.
Depois, quanto a Marcelo topa tudo, compreendi que ele disse agora uma grande verdade. Confessou que estava a pagar o apoio que recebera, quando ocupava o lugar que ela ocupa agora. Assim, está bem. Amor, com amor se paga. Há sentimentos que ficam bem a toda a gente. Esta verdade merece o meu aplauso.
Aqui temos uma boa partida de ping-pong entre dois pares, Soares/Alegre vs Rangel/Marcelo, em que a rede cora de vergonha cada vez que a bolinha lhe passa por cima. Dois contra dois, num jogo em que só um árbitro perfeito poderia ditar um vencedor.
No futebol, são os árbitros e seus amigos, os que mais apitam contra a verdade desportiva. E aqui, alguém está a apitar contra a verdade política.