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afonsonunes

afonsonunes

26 Set, 2009

O bico do prego

 

Esta é uma situação muito difícil, que obriga a ter de se virar o bico ao prego, porque se pegou nele ao contrário, com o martelo em punho e o dito bico apontado na direcção errada. Isto só acontece aos pregadores de pregos que tentam pregá-los de qualquer maneira, mesmo que os ditos estejam tortos e enferrujados.
Ele há lá maior prego que aquele ‘Um abraço e vai-te a eles’. Este não era um prego para ser pregado de cabeça para baixo, nem de bico afiado sujeito à violência do martelo manejado à bruta. Não, este era um prego fraternal, com abraço e tudo mas, sem dúvida, um prego saudoso, pois o ‘vai-te’ só podia significar despedida difícil.
Sinceramente, acho que isto não é maneira de terminar um e-mail, mesmo que ele tenha sido cuidadosamente elaborado, minuciosamente pensado, mais ou menos fruto de diálogo ou, simplesmente, fruto de uma só cabeça excessivamente imaginativa. Porque um e-mail de jeito, deve sempre ser objectivo e não cair apenas nessa de mandar ir a eles.
Isto de mandar os outros ir a qualquer lado pode ser uma complicação dos diabos, pois sabemos que os computadores são génios muito endiabrados, que até podem mandar ir a um sítio que eu cá sei. Sim, porque até eu, que não sou computador, já tenho tido tentações desse género. E então, quando se trata de e-mails, a coisa sobe logo para a arroba.
A minha maior dúvida reside no facto de descodificar esse ‘vai-te a eles’. Será que posso pensar que ‘eles’ são todos os que são citados no terrível e-mail? É uma dedução lógica, apesar de haver lá muita gente que não vai a lado nenhum, pelo simples motivo de que já não precisa. Já chegou onde queria.
Bom, mas esses, cujos nomes estão lá, pronto, assunto arrumado. Agora há aqueles quatro que, sem pestanejar, se atiraram como gato a bofe, a quem não ‘e-mailou’ nada, mas sentiu-se espetado de pregos vindos de quatro lados distintos, com os bicos dos pregos em brasa, a penetrar-lhes a pele em direcção ao osso.
O mais interessante é que, ainda hoje, anda por aí um desatino de virar o bico ao prego, começando a ler o e-mail do fim para o princípio e da direita para a esquerda. Isto é muito importante, porque sempre se leu da esquerda para a direita e do princípio para o fim. Bem me parece que isto também é virar o bico ao prego, tal como confundir que se devia começar por arrancar pregos em casa, em lugar de estar a olhar para os pregos da casa do parceiro do lado.
Depois não admira que tenha de se virar o bico ao prego, numa altura em que fica toda a gente de martelo em punho, pronta a dar marretadas em tudo quanto já virou, ou se pensa que ainda vai ter de virar.
A verdade é que está tudo a pregar alto e bom som para quem podia despregar tudo isto de uma só penada. Sem resultado. Ainda não foi hoje que a pregação resultou. Parece que quem tinha que virar o bico ao prego já o virou. Agora, há que descobrir a melhor maneira de o endireitar, para tentar voltar a pregá-lo.