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afonsonunes

afonsonunes

05 Out, 2009

Take one

 

Já lá vai uma semanada de acontecimentos extraordinários a que respondi com um único silêncio, o silêncio da parvoíce, sobre a genial verdade dos grandes pensamentos que fazem história e garantem a continuidade da nossa desafogada, divertida, consensual e solidária vida individual e colectiva. Acho que isto está muito bem dito.
Nem precisava de dizer que não são adjectivos em excesso, pois muitos mais poderíamos empregar, se eles não fizessem falta para classificar os acontecimentos da memorável semana posterior às eleições legislativas, durante a qual, até me esqueci de os aplicar. Pelo menos, alguns dos mais elucidativos.
Esse esquecimento, porém, não foi apenas culpa minha. Comecei cá a magicar que o meu computador continha algumas vulgaridades, vulgo, computador ‘vulguerável’. Vai daí, desconfiei, confesso que sou muito desconfiado, que alguém andava a pretender saber o que estava na sua memória.
Refiro-me à memória do computador, porque na minha, inserida numa cabeça de alho chocho, desconfio que nem eu sei o que lá tenho, embora saiba o que gostava de lá ter. Mas, quanto a isso, agora já não digo nada, para não ser obrigado a ouvir o que se ouviu por aí na semana passada.
Andei à procura nas duas memórias e verifiquei que, afinal, não havia lá nada de interesse, embora já suspeitasse disso há muito tempo. Mas, lá consegui recordar-me da semana excepcionalmente vitoriosa para toda a gente. Assim, até dá gosto viver neste país em que ninguém perde. Que pena não ser assim no euro milhões.
Mas é que nem a memória do computador se perdeu, como chegou a pensar-se, melhor, a desconfiar-se, antes se ganhou a certeza de que, em última instância, não há nada melhor para as pessoas e para os computadores, que ter a memória vazia. Assim, ficamos com a certeza de que podem entrar e sair à vontade, que dali não levam nada.
Nunca imaginei que, depois de tanto tempo de acidentes, de incidentes, de ver arreganhar dentes, de recados veementes, de verdades ardentes, de mentiras envolventes, de roubalheiras decentes, de conversas indecentes e muitas outras situações poluentes, nunca imaginei, repito, que fosse possível um final feliz assim.  
Como é óbvio, isso só foi possível, porque a divina providência se encarregou de proporcionar vitória total, à totalidade dos competidores. Se é que houve competidores já que, computadores, houve, sim senhor. Estou desconfiado que tudo isto foi antecipadamente combinado e executado milimetricamente, com se saísse da memória de um computador multi-violado, em jeito de jogo de escondidas em noite de farra.
Inesquecível semana esta, em que houve sovas e sovados mas, sovas essas que mostraram como se apanha de cara alegre, como se dá com um sorriso extraordinário, e como se esquece de repente o que se dá e o que se apanha, como se nada tivesse acontecido.
É caso para dizer – ora toma lá que é democrático.