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afonsonunes

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Sim, porque cá na minha, ela já estava ali a mais,  há muito tempo, apesar dos seus teimosos arremedos de amor eterno à cidade e aos leirienses. Nestas coisas há sempre uma parte verdadeira e uma falsa. Ficou agora claro que a maioria constituía a parte falsa desse amor, tanto da cidade, como dos seus habitantes.
Ainda há poucos dias era ela que dizia, melhor, proclamava - viva Leiria - deixando a ideia indiscutivelmente associada de que, nesse viva, se incluía ela própria. Ideia promocional excelente, se ela não andasse de olhos vendados à realidade local e aos seus anseios e necessidades.
Ao longo do tempo foi voltando as costas aos pequenos grandes problemas das pessoas, enquanto se envaidecia com slogans de encher o papo e se consolava com o desprezo que votava a quem não lhe agradava ou, e, não lhe interessava. Ao mesmo tempo, sopravam ventos que traziam cheiros orais do lado de um Lis sussurrante, em dias de conversas nauseabundas.
Já por mais três vezes, Leiria tinha estado em título de escritos neste espaço, sempre a propósito de um caso gritante de desprezo pela vida, em termos de risco e de comodidades mínimas de pessoas, que têm necessidade de transitar pela rua do Alambique, na freguesia de Marrazes, a poucas dezenas de metros do centro de Leiria.
Nunca a câmara ou a freguesia mostraram o menor interesse em resolver, ou minorar, os problemas que continuam a afectar as pessoas, desde Fevereiro. Nunca houve uma explicação, uma palavra, às muitas pessoas que a pediram. Sempre o mesmo desprezo, sempre o mesmo espírito de altivez e, por vezes, de mentira arrogante por intermédio de terceiros.
Nesse aspecto, ontem também ganhei. Ela foi-se, e com ela foi a outra, a dos Marrazes que, no caso, deixa tantas saudades como ambas me deixam a mim e, estou certo, a muito mais gente que fez questão de lhes demonstrar isso mesmo, na urna das nossas esperanças.
A verdade pode tardar, pode ser escondida, pode ser aldrabada, mas acabará sempre por vir ao de cima, porque o tempo é como o mar. Deita fora tudo o que não presta, tudo o que conspurca, tudo o que lhe diminui a pureza das suas entranhas.
A política baixa, de pessoas sem estatura, que vão sobrevivendo à custa de se voltarem sempre para o lado do sol, não pode durar sempre, porque o sol só brilha de dia e a lua, seu eterno substituto para a noite, acaba por ir abrindo vulnerabilidades que se vão acumulando até abrir a brecha definitiva e fatal.
Leiria e Marrazes deixaram a noite ensombrada de ontem e voltaram a ver o sol radioso que se mostrou hoje com os alvores do novo dia. Sei que há quem goste mais da noite e esteja decepcionado. É a vida.
A minha satisfação radica apenas, e exclusivamente, no facto de pensar que elas, mas principalmente, ela, que mora ali um pouco mais acima da Rua do Alambique, ao tentar descê-la a pé, pela primeira vez, não deve ter tido as devidas precauções com o lamaçal, ou o regato que serve de vereda, e espalhou-se.
É assim que muitos políticos distraídos se deixam cair onde e quando menos esperam. Se isto acontecesse quando eu era puto, dava uma gargalhada e gritava – ‘bem feita!...’