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afonsonunes

afonsonunes

15 Out, 2009

Ideias e idiotas

 

Ainda não percebi lá muito bem se um idiota se caracteriza por não ter ideias ou se, pelo contrário, é idiota por ter ideias a mais. Principalmente ideias estúpidas. Digo que ainda não percebi isso, porque sou ignorante, tanto assim é que ainda não escrevi nenhum livro de quinhentas páginas.
Mas também ainda não me agarrei a uma ideia fixa, daquelas que os grandes espertos agarram para se evidenciarem mais, que por escreverem livros grandes. Pessoalmente não simpatizo nada com quem não é capaz de largar uma ideia fixa, ainda que ela transborde de estupidez, baseada em qualquer raiva ou ódio de estimação.
Depois, por causa de alguma experiência nesta matéria, posso afirmar que a única maneira de falar com um burro, é sermos capazes de zurrar como ele. Obviamente porque ele não entende outra linguagem, mesmo que consiga escrever livros de mais de quinhentas páginas.
É por isso que hoje me deu para zurrar com um gajo esperto, que também zurra em jornais da nossa praça. E, se tomo este caminho, é porque ele tratou de zurrar com os portugueses que não votaram como ele gostava, ou queria, ou exigia, ganhando esses portugueses o privilégio de se terem comportado com estupidez.
Ora, entre esses portugueses encontra-se a minha burrice e, lá diz o povo, quem não se sente não é filho de boa gente. Daí que, sentindo-me, tenho de dizer a esse gajo esperto, que não escrevo livros de quinhentas páginas, mas também sou capaz de zurrar como ele. Só não tenho o privilégio de ter um diário que publique os meus zurros. Paciência, vêm para aqui.
Porém, há uma diferença fundamental entre os meus zurros e os dele. É que eu considero-me um burro, ou um gajo, educado para toda a gente, mesmo para aqueles que não votam como eu. Porque a urna onde se mete o voto, não obedece a burros, ou gajos espertos, que zurram contra todos, mesmo os que não perdem o seu tempo a ler os seus zurros, quanto mais a insultá-lo.
Continuo a não perceber bem as ideias de um idiota que se julga muito esperto, principalmente quando fala de política. Sendo tão esperto a classificar quem se lhe entranhou na mioleira como obsessão catastrófica para o país, não percebo porque não aproveita a oportunidade de se candidatar a um poleiro próximo de si, para poder mostrar toda a sua esperteza salvadora, tirando-nos a nós, portugueses estúpidos, o peso desta cruz na qual ele nos pendurou já, sem apelo nem agravo.
Tanta esperteza só podia ser demonstrada eficazmente, tornando-se, ele próprio, no burro da nossa salvação. Quem tem ideias, mesmo idiotas, deve tentar pô-las ao serviço do país e dos seus concidadãos, por mais estúpidos que os considere.
Já agora, além de estúpido, deixem que me considere um burro compreensivo e tolerante, pois não me importo nada de o aconselhar a zurrar na sua família política, que talvez precise bem mais que os votantes de quem ele não pode ouvir falar. Claro que não pode, é óbvio, ele não entende quem apenas sabe falar.
E, por hoje, já estou fartinho de zurrar, mesmo contra os meus princípios.