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afonsonunes

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Nesta coisa dos órgãos, há uma questão prévia que tem necessariamente de ser colocada, e ela é, se quem pretende que se crie o órgão, tem como finalidade tirar do sistema quem o vigia, ou pretende meter no sistema inventores de meios obtusos de o dominar.
Assim à primeira vista, haverá quem pense que é a mesma coisa. Mas, atentando nas palavras usadas, quem o vigia, deixa pressupor que alguém tem de o fazer, e que esse alguém tem a legitimidade que lhe é conferida pela responsabilidade de, em última instância, governar o país. Sim, governar, claro.
Por outro lado, há os inventores de meios de o dominar. Sabendo-se que não estão vocacionados para tal missão seria, antes de mais, uma manifestação de desconfiança no governo. Impõe-se a pergunta sobre qual das instituições é considerada mais fiável, em termos de confiança da sociedade civil. Pergunta que se baseia nas bem recentes desconfianças, e não só, em relação à presidência da república, ainda não totalmente esclarecidas. O que me parece, só por si, razoavelmente esclarecedor.
O assunto vem a propósito do órgão pedido para a justiça. Consultivo, ao que parece e julgo saber. Também julgo saber que a justiça precisa muito mais de ordem para executar, do que de órgão para consultar. É que, consultores, não devem faltar por lá, inclusivamente, para dizer como se pode contrariar quem governa.
Chego até a pensar que deve por ali faltar um órgão qualquer, o que implica e justifica o facto de não se conseguir mexer naquilo, mas nunca faltará um órgão consultivo e, ainda por cima, presidido pela presidência. Se esta faz falta no sistema, então que presida à ordem, para meter aquilo na ordem.
Se o governo não deve estar metido naquilo, como eles querem, e parece que não tem estado, nem tão pouco se vê que possa ter estado muito mais, então também não há razão para que eles lhe atribuam a desordem que por lá vai. É claro que é cómodo, e fácil, dizer-se que não se faz nada, quando se não deixa fazer quase nada. E, se calhar, o quase, ainda é por favor.
                                                                                                      
A seguir pelo caminho de criar órgãos que faltam, a lista seria bem longa, desde logo porque vamos assistindo cada vez mais à tendência para considerar que estamos preparados para uma fase auto gestionária, em que cada um sabe exactamente o que fazer, segundo a sua própria lei.
Seria uma boa maneira de se acabar com todos os governantes e com a despesa do estado, ou acabar com os bancos, de modo a que cada um deles se pudesse abastecer ali, livremente, com as portas dos cofres franqueadas. São apenas dois exemplos simples de órgãos abolicionistas que urge implementar, sob a presidência de um órgão constituído unicamente por juízes.
Por uma questão de coerência, esses juízes tinham de exercer o cargo graciosamente, pois sem despesas de estado, não havia dinheiro para órgão nenhum.
A minha única objecção em toda esta questão, é que o país saiba encontrar rapidamente a melhor forma de ter o órgão no sítio certo, de modo a ser eficaz e actuante, em lugar de ser meramente consultivo.