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afonsonunes

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Ainda há quem pense que não há comunista sem a sua cassete engolida não se sabe como, mas que é reproduzida de cada vez que a boca se abre para botar palavra. É por isso que ninguém consegue descobrir a mais pequena gafe a um verdadeiro comunista, ao contrário do que acontece a toda a hora, com os seus adversários políticos.
No entanto, a cassete é já hoje uma relíquia como material de gravação, dado que surgiram múltiplas maneiras de substituir coisa tão velha e obsoleta. Uma delas é a vulgar e diminuta PEN que tem o inconveniente de ser perigoso citá-la no plural, mas tem a vantagem de armazenar material que nunca mais acaba, em comparação com a cassete.
Talvez por isso, já não faz sentido ver os comunistas sob esse prisma da cassete, uma vez que também eles já têm PENES. Eu avisei que era perigoso este plural, se não houver muito cuidadinho com a pronúncia. Mas adiante. É claro que ainda há comunistas com cassete activa, mas também já os há com PENES perfeitamente operacionais.
Toda esta treta vem a propósito de muita gente olhar para os comunistas, vendo-os como pessoas que têm ideias que não se encaixam na maneira de pensar dos que o não são, sem que levem logo essa diferença para a cantiga da cassete. Como se não houvesse por aí cassetes de todos os matizes, algumas que bem custam a suportar, mas isso, paciência, é a vida.
Agora é preciso dizer que andam por aí umas vozes arranhadas, que parecem cassetes riscadas, atirando-se a um comunista que sempre foi capaz de dizer não a muitas teorias comunistas de cassete, que não entravam na sua PEN muito própria e muito pessoal.
Parece que há quem não compreenda que há muitas maneiras de ler, de escrever e de pensar. Parece que há quem não compreenda que há comunistas que não podem com o que escrevem os não comunistas de todo o restante espectro partidário. Portanto, gostar ou não gostar, de quem e de quê, é um indiscutível direito de uns e de outros.
O que ressalta de toda esta discussão histérica, é a convicção de algumas puras donzelas, machos e fêmeas, de que se devem arvorar em defensores de uma moral anticomunista que justifica todas as atitudes e as coloca acima de todas as suspeições. Bem podem coçar os seus pruridos, porque os seus tempos já lá vão.
Bem podem os membros da igreja católica, que tanto se eriçaram com as palavras de um homem, sentir-se confortados com as graças divinas, pelo esforço que fizeram em defesa daquilo em que acreditam, que bem mais profícuo foi o sinal humano de que não há limites para a expansão do pensamento, sem entraves de qualquer espécie.
É verdade que a palavra de um homem, é apenas isso mesmo, uma palavra que não tem, necessariamente, de ter muitas ou poucas concordâncias ou discordâncias para ser boa ou má. Muito menos tem que ser avaliada pela origem ideológica do seu autor. Muito menos ainda, porque nessa ideologia há o estigma de uma velha e ultrapassada cassete.
Seria bom que todas as pessoas tivessem em si os melhores ideais comunistas, tal como seria igualmente bom, que os comunistas também fossem capazes de interiorizar as melhores práticas de outras teorias políticas. O mesmo é dizer que há virtudes e defeitos em toda a parte, por muito que as velhas cassetes de várias origens, pretendam fazer crer o contrário.
Que fale cada vez mais alto o pensamento, para que se oiça cada vez menos a voz da calúnia e da mentira. Sinceramente, penso que isto não é cassete.