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afonsonunes

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09 Abr, 2017

A aurora da verdade


No Diário de Notícias de hoje, no espaço de opinião, destacam-se dois excelentes artigos que, pela sua frontalidade, vêm como que anunciar uma aurora anunciadora de novos tempos no que toca à 'covardia' de muita gente que devia ter coragem de denunciar a terrível situação da justiça no país.

António Barreto titula o seu artigo de 'Polícias e ladrões', enquanto Pedro Marques Lopes escolheu o título 'A tabloidização da Justiça e os covardes'. Cada um à sua maneira, mas ambos com a coragem que hoje falta a muita gente, até a alguns altamente responsáveis pelo estado calamitoso a que a justiça chegou, que mais seja pela inação que sempre os caracterizou.

Efetivamente, ao país faltam bons polícias para apanhar os ladrões maus e falta coragem aos responsáveis pela condução dos processos e seus orgãos superiores para resolver esses processos, concluindo-os ou arquivando-os, dentro dos prazos legais, sem nunca porem em causa direitos primários dos cidadãos visados pela justiça.

Nesses dois artigos leem-se coisas como 'covardemente', 'covardes', ´despacho infame', 'tablóides' e muito mais ao longo desses textos, que saem muito do que a imprensa em geral e as televisões, quase diariamente enxarcam a opinião pública com notícias que são fabricadas por covardes, ou fornecidas por outros covardes que, sem qualquer pejo, em lugar de atentarem nos direitos dos cidadãos, os condenam sumariamente com base em delírios seus ou alheios.

E tudo isto acontece em processos que duram muitos anos, como que à procura de agulha em palheiro. A Justiça tem dois princípios que não podem, nem deviam estar, ausentes de quem conduz os processos: não se pode prender sem fortes indícios de crime e não se pode condenar sem provas evidentes que justifiquem a acusação. Obviamente que fazer tudo isso, só porque se tem a convicção de que estão crimes em causa, não é justiça, nem é legal.

Mas, pior que tudo isso, é tratar as pessoas como coisas, o que já nem aos animais se tolera. Tal como se não tolera que, depois de se ter concluido que não se conseguiram provas de crime, arquiva-se o processo, mas deixa-se no despacho de arquivamento, a 'condenação' de que foram praticados crimes, mas, dos quais não foi possível obter provas. Parece uma ideia de quem nunca soube o que é justiça.

Depois, há a covardia de tanta gente, a todos os níveis, do cimo à base da pirâmide do estado, até aos cidadãos que falam, comentam, condenam, quem não conhecem, senão pelo que ouvem ou leem. A covardia lá do cimo que, sabendo o que se passa, nada faz para parar tamanha injustiça. Por medo de vir a ser alvo de situação igual, por comodidade política, por comprometimento?

Finalmente, uma frase do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho. "...há 'hoje' uma intolerância em quem governa que nunca houve." Realmente há quem tenha uma memória muito mais curta que o próprio nome. Essa intolerância de que fala o mais intolerante primeiro-ministro que o país já teve, é aceite por quatro partidos que apoiam o governo e pelo PR que, ao que se tem visto, não a sente. O presidente do PSD, além de não tolerar que já não governa, não perde o mau hábito de não distinguir a verdade da ficção.