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afonsonunes

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07 Fev, 2018

A caravana passa


Pela 'Deutchlândia' acabamos de verificar que se passa qualquer coisa de novo que poderá levar o nosso presidente Marcelo a fazer mais uma das suas declarações, mais ou menos igual àquela em que nos informou que é preciso não esquecer que a recuperação económica começou com o governo anterior.

Agora poderá dizer que o ministro alemão Schauble, de saida do governo, deixa as bases de uma nova Alemanha ao seu sucessor Scholz. Não é difícil perceber que há aqui qualquer coisa de caricato. E essa coisa é querer convencer-nos de que a austeridade foi o início da recuperação económico do país.

Na verdade, a austeridade foi o agravamento do descalabro económico que ela trouxe e não o contrário. Compreende-se que Marcelo se queira mostrar equidistante do governo e da oposição, até porque começam a ouvir-se vozes de que só tem tido elogios para a governação. Daí a já verificada moderação quando fala de assuntos tão sensíveis como esse.

Só assim se compreende que na Europa, tanto se tenha falado no sucesso de Costa e Centeno ao darem uma imagem muito mais séria do país que temos agora. Em muitos aspetos, e bem visíveis, obviamente. Por cá, nunca tal será admitido por alguns, por causa da hipocrisia reinante e da politiquice esquizofrénica que domina a realidade.
Quando Costa assumiu a chefia do governo foi bem claro ao afirmar que as mudanças na Europa tinham de ser feitas por dentro e não forçadas de fora. É isso que está a acontecer. O exemplo de Portugal nestes dois últimos anos, vai ganhando forma. E a força de Schulz ao forçar Merkel a conceder-lhe as principais pastas do seu governo, são a prova disso.

Portanto, a política de Merkel, Shauble e o seu apêndice Passos, ficou pelo caminho. A Europa está a mudar e não foi por causa destes inapagáveis síbolos da austeridade. O futuro é futuro, como sempre, imprevisível, neste mundo de imprevisíveis surpresas. Mas, esse passado ainda recente, nunca nos daria nada de bom.

Um dos grandes problemas do país é o facto de ninguém assumir de caras, sem hipocrisias, quem, claramente, fez o quê, de bom e de mau, com assinatura por baixo. Ninguém faz tudo bem, ou tudo mal. Mas há decisões, umas boas outras más, que marcam os países e as pessoas para sempre, ou não as vão esquecer tão depressa.

Depois, vivemos hoje um período em que há quem, lá do alto, fale demais, muitas vezes para lá das suas reais competências, invadindo mesmo a esfera de ação de quem vê usurpadas as suas competências. E quem, lá do alto, vá criticando ou elogiando, abrangentemente, para não ferir susceptilidades que prejudicam a popularidade.

Obviamente que cá por baixo, onde eu ando, também se fala demais, se fala do que se sabe e do que se não sabe, por vezes, muitas vezes, ultrapassando os limites da razoabilidade. Mas, cá por baixo, dizem que é a liberdade de expressão que o permite. Eu penso que a liberdade, só é liberdade a sério, se não ferir a liberdade dos outros.