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afonsonunes

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23 Jun, 2015

A DÉCIMA

 

Eu e a grande maioria dos portugueses estamos fartos de pagar a décima. Mas há quem não se conforme e não se canse de querer pagar mais e mais, tendo mesmo uma grande preocupação em repetir dose sobre dose.

Até o acidente de Camarate já vai na décima. E os portugueses a pagá-la. Já se diz por aí que daqui a quatro anos virá a décima primeira. Devíamos ver bem quem não se cansa de querer sempre mais uma. E para quê?

Até já se diz que toda a gente está farta de saber tudo sobre o caso. Confesso que eu não sei nada. Mas, se já está tudo esclarecido, não compreendo por que insistem em pagar mais uma décima sem fatura.

No meu modesto entender, de quatro em quatro anos, aparece sempre uma comichão enorme e sempre nos mesmos. É capaz de ser sarna. Eles bem se coçam mas, na verdade, a coisa não lhes passa. Nem aprendem.

Com o fim desta décima, e com os espíritos mais sossegados por quatro anos, hoje, dia da martelada, a noitada vai ser grande e farta. Mas, as boas cabeças vão inchar com tantas ideias sob a pressão das doces marteladas.

Ao menos na véspera do dia de S. João e na noite de todos os sonhos de felicidade, vamos todos esquecer a décima e todas aquelas que se seguirão. E deixemos para trás todos os acidentes que nos têm chocado.

Neste momento, só há um crime e um criminoso. Esse é o único acidente que aconteceu no país e do qual o país não pode deixar de falar. Também ele, o acidente e o criminoso, têm de vir pagar a décima do ano eleitoral.

Também para nos distrair de que possamos suceder à Grécia. O seu filósofo não pode escapar à ira dos seus puritanos inimigos portugueses. Que, nesta noite de S. João, farão um ensaio decisivo de boa martelada.

Exercício essencial para nos libertar de vez da maldição grega. Somos portugueses, mas vivemos vergados a essa síndrome maldita. Chegamos ao ponto de já aceitar o medo como o mérito e a mentira como virtude.