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afonsonunes

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Um tal de Gorje Jasus teima em mostrar ao país e ao mundo quanto de ridículo é o seu modo de pensar sobre os seus dotes, que não são mais que delírios, expressos numa linguagem tão especial que não encontra tradução senão no dicionário mental do seu chefe, Abrunho de Tarvalho.

Reconheço que há quem goste dos dois. Porque sei perfeitamente que eles não são únicos no universo dos que têm línguas especiais e especializadas em broncolinguites. O problema é que eles estão tão próximos um do outro, que não se nota a menor diferença entre eles.

Agora o que me faz muita confusão é o modo como eles são vistos por quem lhes segue os rastos, nos dias em que lhes elogiam à fartazana, os feitos e os defeitos, quando tudo lhes corre bem, e os desancam sem dó nem piedade, quando os excessos bocais regorgitam em dias de triste memória.

Obviamente que a diferença também está na língua da polítiquice, no masculino ou no feminino. Há os que cantam de galo quando deviam limitar-se à sua tarefa principal junto das galinhas, e os que deixam que as galinhas, tipo cristaspuras, lhes encham as penas daquilo que sai antes e depois do ovo.

Com cristaspuras destas, não admira que todo o galinheiro, ou o aviário, que lhes serve de residência, seja um enorme buseiral, do qual nem os poleiros mais elevados escapam ao contágio do chão malcheiroso e com tendências para constantes contaminações.

E a diferença não está nos ovos que a galinha mãe põe. A diferença está nas línguas de galinhas gémeas, algumas ainda arrebitadas frangas, para as quais não há galos que lhes piquem nas cristas. E os franganotes têm muita língua, mas na hora de picar falta-lhes a força da estocada final.

Podia falar da Mortedágua, da Catrina ou do avô Girolme. Mas o tempo escasseia e a inspiração falta. Porém, desses falam sem descanso os galos e as galinhas do aviário poluído. Do maior, aquele que não se aguentava uns dias sequer com tantas línguas a picar, já nem uns nem outros falam. Já lhes basta, a todos, entreterem-se a picar uns nos outros.