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afonsonunes

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A geringonça está em coma induzido com prognóstico muito reservado. Há mesmo quem afirme que tem os dias contados. Quem afirma tal, devia pedir opinião aos criadores de tal espantalho, que nasceu para viver e não para morrer, por ordem de um conjunto de poucochinhos.

A geringonça foi criada por Vasco Pulido Valente numa longa noite e adotada por Paulo Portas, num momento de escárnio, que lhe deu o empurrão decisivo para o mundo mediático. É pois uma obra de dois artistas que se especializaram em ciências da maledicência nacional e que acabaram por mostrar ao país que os génios do mal também podem, sem querer, ser reveladores de grandes sucessos.

A geringonça acaba de ser avaliada pelos portugueses em eleições legislativas e os resultados são conhecidos, como são conhecidos os ‘poucochinhos’. São poucochinhos em quantidade, são poucochinhos em qualidade humorística e são agora poucochinhos para alimentar a esperança de substituir a geringonça por uma cangalhada que eles tanto têm tentado movimentar e reparar, quando a quiseram impor aos portugueses como um invento das mil e uma noites de génios.

Todavia, alguns dos poucochinhos andam agora metidos em guerras intestinas com vários iluminados, disputando uma claridade que vislumbram no horizonte das suas sedes de poder, convencidos de que o obscurantismo de quem os ouve vai durar para sempre. Mas colocam sempre na sua distorcida mira, não o progresso do país que tanto propalam, mas uma procura incessante de casos e calúnias, que mais os condenarão ao esquecimento dos eleitores.

Bem podem estar orgulhosos da sua criatividade embora o país os vá colocando na prateleira dos saudosos inválidos que ainda podem vir a servir de raridades museológicas em ocasiões de revisitar as mudanças a que o país vai assistindo.      

A geringonça pode não estar tão defunta, ou mesmo simplesmente moribunda, pelo evidente motivo de que fora dela, nos tempos mais próximos, a possibilidade de sucessos políticos é muito escassa. Os poucochinhos, ainda que consigam reagrupar-se, nomeadamente com a adesão dos novos sonhadores e novos ilusionistas, vão fatalmente juntar-se aos mais frustrados recentes vendedores de ilusões.