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afonsonunes

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26 Fev, 2015

A 'KALINADA'

 

Finalmente Costa deu uma kalinada de jeito. Já não era sem tempo. Andava o pagode todo inquieto à procura de um gesto mal medido, de uma palavra mais inexpressiva e de repente saiu mesmo coisa de se ouvir.

E, obviamente, coisa de se comentar, de alegrar quem andava tão chochinho e de reganhar a esperança há muito perdida. Foi preciso ele dar ânimo à maioria para ela se endireitar e respirar confiança para dar luta.

Isto andava tudo tão calminho que era preciso acordar o pessoal. A começar pelo próprio Costa, que era acusado de não dizer nada de novo. Disse agora. Disse-o para chineses que estavam fartos de ser enganados.

Claro que Costa não quis desiludi-los assim de chofre e vai daí meteu-lhes mais uma peta inofensiva para que o pessoal não ficasse com os olhos ainda mais bicudos. Costa, quem sabe, pode vir a precisar do cacau deles.

Mas Costa, ao dizer que isto estava diferente, acordou, sobretudo, o coro da missa. Os seus sacerdotes já não os entusiasmavam. Costa falou como bispo e os fiéis exultaram por todo o lado. Ouviram a palavra da salvação.

Claro que a ‘Costada’ não gostou e com razão. Ninguém gosta de ver dar aos outros o que precisa para si próprio. E o que Costa deu aos seus infiéis foi uma boa ocasião para eles se consolarem com uma reza pecaminosa.

Tão pecaminosa, que não se devem iludir os agora entusiasmados. Não se ganham eleições a falar apenas e só, a sério, como todos sabem. Logo, cuidado, Costa vem aí para dar luta, mesmo no campo dos infiéis. A treta.

Bem se sabe quem têm sido os maiores amigos da conversa da treta. Só que já ninguém se entusiasma com eles. Mas, com Costa, faz-se uma festarola. Os fiéis de Costa vão ter de concordar que tem de ser assim.

É mesmo muito diferente dar uma kalinada fortuita e piedosa a chineses à volta da cabra, a mandar kalinadas sucessivas e impiedosas sobre os portugueses, tanto para chegar ao poder, como na tentativa de o manter.