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afonsonunes

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21 Set, 2019

A lei e a ética

Assunção Cristas, presidente do CDS, disse estar muito mais preocupada com a ética e a corrupção do que com a lei. Eu não sou presidente de nada, no entanto permito-me ver em tal preocupação algo que mostra aquilo que Cristas quis dizer, mas que também mostra que ela não sabe o que diz. E quando alguém não sabe o que diz, mais lhe valia ficar calada. Contrariamente ao que diz quem sustenta que mais vale dizer asneiras que ficar calado.

Tal ‘desarrincanço’ da responsável política do CDS surgiu como reação à notícia de que o Conselho Consultivo da PGR, dera razão a António Costa, Primeiro-Ministro, no caso das relações familiares de governantes, que tanto deu que falar, criando a ideia de que só os governos PS cometeram tantos ‘abusos’, logo associando tal facto a um mar de corrupção nunca visto noutros governos. O que não seria difícil rebater com o que se passou com governantes do PSD e do CDS.

Mas vamos às diferenças entre lei e ética que Cristas invocou para se redimir das críticas feitas à sua maneira habitual. Fui ao dicionário.

Lei: Preceito emanado de autoridade soberana; Prescrição do poder legislativo; Obrigação; Norma social; Religião; Moral; Regra; Relação constante e necessária entre fenómenos ou entre as fases do mesmo fenómeno.

Ética: Parte da filosofia; Que trata da moral; Ciência da moral.

Que mais não fosse, lei tem um conceito muito mais amplo que ética. Não me parece que se possa sobrepor a ética à lei, pois os fundamentos da moral estão presentes na lei e na ética. Logo, dificilmente se pode pensar que, estando na ilegalidade, se pode substituir esta pela ética. Então temos Cristas muito preocupada com a ética e a corrupção e nada preocupada com as ilegalidades. Como se Cristas e o seu partido fosse um oásis neste deserto corrupto que ela tanto proclama.

É caso para dizer: bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz. É verdade que estamos em período pré eleitoral e não é só Cristas e o seu partido a descer do céu à terra para pregar as maravilhas do seu mundo novo. Mas Cristas e o seu partido deixaram de ser poder há menos de quatro anos e a herança que deixaram, tanto no que diz respeito a obra feita bem como a obra destruída, tal como na participação da liderança desse governo, não foi propriamente de molde a estar já esquecida. E não foi por terem deixado saudades.

O país precisa de ética, mas de ética dentro da lei. Porque também é evidente que o país só o é dentro da lei e tem de ter justiça que acabe de vez com quem não cumpre a lei, porque país que não combate a ilegalidade não pode dizer que tem cidadãos que eticamente podem substituir o não cumprimento das leis emanadas do poder legislativo competente.

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