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afonsonunes

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Que eu tenha dado conta, Cavaco Silva nunca foi fazer uma visitinha a instituições de solidariedade social na hora das refeições. Ou se o fez, nunca o vi de prato na mão, aproveitando a oportunidade para poupar uma refeição.

Também nunca me apercebi de que tivesse alguma vez levado o saquinho com a marmita para poder cumprir uma boa dieta ou um desejo especial. Tudo isto, prova a qualidade dos hotéis onde se instala quando fora do Palácio de Belém.

Começam a surgir notícias de que o seu provável, mais que provável sucessor, dizem, não siga o mesmo critério alimentar. Marcelo já mostrou que, sandes de qualquer coisa e bolachas de água e sal, chegam. Tudo dentro da marmita.

Obviamente que não estou a insinuar que Cavaco fez mal em não ser um presidente à Marcelo. Mas já duvido de que Marcelo não esteja a querer demonstrar que não quer ser um presidente à Cavaco. No comer, obviamente.

Quanto ao resto, fica muito bem a Marcelo mostrar que se pode salvar o país comendo pouco, da marmita, ou do prato durante a visita. Ser poupadinho, não é só saber tudo sobre economia doméstica e poupar na saliva dos discursos.

Mas é também poupar nas férias grandes, embora gozadas à grande, além de ser campeão da barateza da sua ímpar campanha eleitoral. Aqui é que Marcelo devia enfatizar que não é como Cavaco foi, quando fez campanhas de estrondo.

E isto não significa que os amigos de Cavaco tivessem sido mais mãos largas que o seriam agora com Marcelo. Não, os amigos são iguais, só que Marcelo não lhes quer cair nas graças. Talvez porque pense que daí só lhe viriam desgraças.

Agora, a grande bandeira eleitoral de Marcelo, é mesmo a marmita. É que a marmita é hoje o símbolo do novo-riquismo nacional. Dantes, até a marmita era um luxo. As sandes e a garrafa, iam numa cestinha de verga ou no saco de pano.

Isto, claro para aquela gente mesmo pobre que trabalhava de sol a sol. Agora, não! A gente vê marmitas por todo o lado. Até as madames. Mas estas, é por causa das bolachinhas de água e sal, para se manterem dentro das medidas.

Marcelo, se usa marmita, não é por causa da linha, mas exclusivamente para se guardar para as longas noites que passa sem dormir. É aí que Marcelo se vinga, pois enquanto lê, escreve, ou simplesmente pensa, lá vai mais uma bolachinha.

Malevolamente, diz-se por aí que Marcelo diz apenas o que lhe convém, escondendo, portanto, muito da sua vida e do seu passado. Em parte é verdade, fora a intenção malévola. Ele, só não fala nas bolachinhas e na cor da marmita.