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afonsonunes

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De vez em quando aparece por aí uma espécie de verdade que, ora é toda, ora se apresenta como meia verdade, ou até uma verdadeira mentira. Desta vez até me dei ao trabalho de ir ao dicionário a ver se a descobria.

Com tanta versão de verdades e de mentiras, sinceramente, já começava a duvidar da minha capacidade de distinguir uma coisa da outra. Mais, temia que andasse por aqui a escrever coisas de duvidosa realidade.

Mas, o meu dicionário, que ainda é do bom tempo e tem peso e volume consideráveis, não me engana. Mentira é uma coisa. Verdade é outra coisa. E quem não souber, ou confunda as duas, é melhor fazer como eu.   

Uma coisa é a gente não saber, ou não querer, colocar as coisas no seu devido lugar, outra coisa, e essa bem pior, é querer levar os outros a embarcar nas nossas confusões. É bom que cada um fique no seu lugar.

Não resisto a contar uma gracinha. Há dias assisti à comemoração dos cem anos de um ancião cheio de vida. Ao ser felicitado por um ex-colega de trabalho, muito mais novo, mirou-o atentamente e ficou em silêncio.

No meio da sua indecisão, parecia perguntar: quem és tu? Sou o fulano, identificou-se o visitante. Resposta do centenário: oh pá, estás velhote… Neste caso, a mentira foi mesmo uma graça. Mesmo faltando à verdade.

Não foi o caso, mas, com alguma frequência, vemos a idade atraiçoar as pessoas. Há nelas um amontoado de confusões que as leva à teimosia de se sentirem na necessidade de fazer prevalecer as suas convicções.

Não admira pois que as suas verdades tenham perdido o sentido de realidade que o próprio tempo alterou. E, quantas vezes, os ‘velhotes’ mais novos, resultam nos mais traídos por falhas precoces de memória.