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afonsonunes

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28 Set, 2015

'A MINHA GENTE'

 

Garanto que eu não tenho gente minha, até porque ninguém me quereria para seu dono. E duvido muito que ainda haja gente que aceite ter um dono. Mas há sujeitos inteligentes que ainda julgam que têm a sua gente.

Se calhar é por isso mesmo. Por se julgarem muito inteligentes, muito mais inteligentes que toda a gente, que tomam por servos estúpidos e sem cabeça, todos aqueles que andam à sua volta. Mas isso é uma ilusão.

Neste tempo de corrida ao voto, e quando esse voto é perseguido com aquele frenesim de quem está a ver ir tudo para águas profundas, de certo modo compreende-se. Mas, só por inteligência a mais, vê salvação por aí.

Só mesmo Paulo Portas podia fazer apelos salvadores desses, à sua gente. Gostava de o ouvir dizer claramente, quem é, que pessoas concretas, constituem essa sua gente. Depois, ouvi-las confirmar que são gente dele.

Passos não fará parte da gente de Portas mas, garantidamente, que já se tem comportado como ela. Passos está mesmo muito apetrechado para muita coisa. Talvez a sua obediência cega seja mesmo um bom apetrecho.

Portas é mais tendente para o caciquismo, coisa que Passos nem de longe, nem de perto, jamais aceitaria. Passos é agora, de ontem para hoje, um político que nunca aceitaria ter poder absoluto. Quer poder, mas pouco.

Pelo contrário, Portas quer poder, mas quere-o todo. Pensa que a sua gente, quer vê-lo como amo e senhor de tudo e de todos. Sobretudo, dos que são um perigo para o seu egoísmo de ser demasiado inteligente.

Passos está a minguar as suas espectativas, ao dizer desde ontem, que as sondagens não ganham eleições. Ao dizer agora que, agora sim, mesmo não ganhando, vai colaborar com quem o substituir. Bonito de se ouvir.

Portas, pelo contrário, pensa que, morrer sim, mas devagar. E ainda não pensa morrer tão depressa. Ou melhor, só depois de bem morto é que começa a pensar como ressuscitar. E isso só pode acontecer no dia quatro.

E também pode acontecer que a sua gente não chore muito no seu enterro político. Pode até acontecer que Passos não verta uma lágrima sequer. E se for um duplo enterro, não haverá lágrimas de nenhum deles.

Para eles, seria o fim de Portugal. Nem Portugal à Frente, nem Portugal Atrás. Para os portugueses, seria o fim de um ciclo em que dois rapazolas se convenceram de que nenhum homem conseguiria fazer-lhes frente.

Ninguém tem o direito de querer sobreviver, matando quem lhe apareça pela frente. Ninguém pode fazer o futuro na base da mentira. Ninguém pode julgar-se o único defensor do povo. Ninguém é dono de ninguém.