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afonsonunes

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20 Mar, 2017

A minha prima Vera


Depois ainda não querem que a gente diga que somos enganados a torto e a direito. Então não é que a minha prima Vera me tinha garantido que a partir de hoje, o tempo ia ser uma delícia. Campos floridos, sol a rodos, sorrisos de felecidade em todos os rostos.

Mas o que eu vejo é nuvens grossas por cima de mim, frio que se farta, ameaças de chuva e gente encolhida nos seus agasalhos. Como é que se pode sorrir de felicidade no meio deste ventinho quase a fazer sentir a presença de neve em algumas das serras que nos rodeiam. Não, assim, só se sentem é arrepios.

Depois a minha prima Vera também não é capaz de modificar o semblante daqueles que o tempo mais influencia. Por exemplo, aqueles políticos azedos e mal dispostos que só veem desgraças, apesar de sabermos que todos vivem à grande e à francesa. Hoje, até esta vida à francesa é uma treta.

Obviamente que a minha prima Vera não controla a primavera que hoje teve o seu início. Mas bem podia irradiar simpatia para toda a gente com quem fala. Especialmente para mim,pois se não é para isso que se tem uma prima assim, então eu e quem me rodeia, vamos continuar carrancudos como os tais do contra, contra tudo.

Dizem-me que isto tem de ser assim mesmo. Não me conformo com essa teoria de que quem está contra, tem mesmo de estar contra tudo. Até parece que se estivesse de acordo com alguma coisa, isso deixaria de significar que não eram do contra, mas que também faziam parte dos outros.

Bem me parece que a minha prima Vera não está gostar nada desta conversa. Até porque ela sabe perfeitamente que estou a falar sozinho. Preferia que estivesse a falar com ela. E que nos entendessemos bem. Mesmo nestes dias sombrios que não têm nada a ver com a primavera.