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afonsonunes

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Dado que a política nacional está a tornar-se desinteressante, resta virar-me para o nobre canto de alguns privilegiados que, não tendo uma voz maviosa têm, no entanto, o poder vocal de um instrumento singular.

No mundial de futebol da África do Sul apareceu aquela coisa que atroava os estádios e condicionava os que se exibiam nos relvados e todos os que se encontravam à volta dele, provocando uma excitação ultracontagiante.

Pareciam estádios repletos de gente com uma rouquidão coletiva só comparável a uma voz que se ouve em todos os jogos no estádio José Alvalade, que se sobrepõe à claque e à turba que grita alucinadamente.

Essa voz roufenha, acompanhada de uns esgares faciais muito peculiares, sobressai ainda pelo conteúdo linguístico de uma finura inimitável e de uma esmerada educação. Ainda ontem se lhe ouviu: ‘o sr. Pinto da Costa’.

Já se viu esta maravilhosa maneira de se referir a um presidente, sem dúvida, excecionalmente ilustre? Não, nunca ouvi tal deferência. Já tenho ouvido dizer, o orelhas, o papa do Norte ou Bruno das Riscas do Carvalho.

Pois o autor dessa gentileza foi um grande senhor a quem já ouvi chamar Otário do Machado. A origem deste pomposo nome virá exatamente do tom de voz que corta tudo o que lhe aparece pela frente. À machadada.

Por outro lado, há quem o tenha na conta de um excelente tenor de ópera bufa, dada a diversidade de situações que representa, aproveitando, precisamente, a sua incomparável voz de combate lírico à machadada.

E aí, não há ‘senhor’ para ninguém. O mais recente episódio gira à volta de uma mala e de uns sms’s. Não sei a que propósito lhe chamam jogo. E também desconheço os trezentos e cinquenta mil, dentro ou fora dela.

Enfim, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é campeonato. Já estou a ver como os ‘senhores’ portugueses vão passar o tempo daqui a umas semanas. A política está a perder fôlego. E os ‘senhores’ vão de férias.