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afonsonunes

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05 Mai, 2015

A PORCA DA VIDA

 

Esta porca da vida de hoje em Portugal deve ter nome mas eu ainda não consegui descobri-lo. Isso deve-se apenas a uma falha grave no atrevimento de me dedicar a essa tarefa. Até para procurar é preciso jeito.

Os humanos têm o hábito de pôr nomes a todos os animais de estimação. Até põem nomes de gente. O que prova a grande estimação que lhes dedicam. Já o mesmo não acontece com o porco e a porca. Que estranho.

Obviamente que os nossos costumes linguísticos sempre adotaram a porca como a definidora da vida que se leva na pocilga ou fora dela. Também ainda não percebi porque se deixa de fora o barrasco progenitor.

No entanto, toda a gente sabe que, sem o poderoso porco, não havia porca que deitasse cá para fora ninhadas de leitõezinhos, nem maminhas a jorrar leite para a porcalhada. O porco faz, enquanto a porca distribui.

Se a vida é uma porca, naturalmente que as suas crias, os seus porquinhos, não podem ter motivos para se queixar da vida da porca, nem invejam a vida que as pessoas levam nas suas casas ou nas suas barracas.

O porco, a porca e os seus porquinhos não têm a mínima sensibilidade para avaliar essas coisas. A pocilga em que vivem dá-lhes tudo o que eles precisam. Estão sempre de barriguinha cheia. Nem precisam de grunhir.

Depois, façam eles o que fizerem, chafurdando muito ou pouco, sujando mais ou menos quem anda à volta da pocilga, ninguém lhes pede contas pelos estragos. A sua irresponsabilidade é ilimitada. A culpa nunca é sua.

É assim a vida de porco. Perdão, a vida de porca, queria eu dizer. Que acaba sempre por nos levar a falar da porca da vida. Quantas vezes metemos na nossa vida, quem nada tem a ver com ela. É o caso do porco.

Agora, eu tenho cá um pressentimento que, mesmo às escondidas, há por aí porcas e porcas, principalmente, os que mais se têm distinguido, que já têm nome atribuído. Eu é que não o sei ainda. Mas falta pouco para saber.