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afonsonunes

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19 Out, 2015

A recompensa

 

Não, não vou falar do filme com esse nome, pois não simpatizo nada com arrombadores de cofres, nem com o criminoso que começa o filme a falar com aquilo que menos usou nos doze anos que esteve na penitenciária.

Confesso que também não simpatizo nada com responsáveis por cofres cheios, quando devem resmas de massa. Podem não ser caloteiros, mas lá que se assemelham muito a eles… Depois, aflitos, chamam pelo António.

E chamam o António porque lhe querem impingir a tarefa de guardar os cofres cheios. Resta saber ainda se pretendiam fazer dele um segurança, ou se pretendiam fazer dele o arrombador que iria acabar na prisão.

No entanto, o António desconfiou que o dinheiro dos cofres não ia além de uma pequena parte das dívidas a pagar. Logo, o emprego era de curta duração. E então pensou que era melhor esperar para ver se o dono saía.

Havia por ali qualquer manigância que era urgente deslindar. E o dono dos cofres antecipou-se ao esperador. O António não dava sinais de querer conversa. Só podia ser por andar de olho num emprego muito melhor.

Como se admitiu a hipótese de o António poder estar surdo, recorreu-se ao truque da recompensa para ver se a tentação recuperava a função dos ouvidos entupidos. Recompensa que podia passar por ter chave do cofre.

Provavelmente, esse acesso seria apenas para ter o prazer de olhar para ele. Meter lá a mão, isso nunca. O que quer dizer: passos, só à retaguarda e portas, sempre bem fechadas. Sendo assim, o António continuou surdo.

Surdo para ouvir o dono dos cofres pois, em boa verdade, não tem um momento de descanso na procura de uma solução que permita dominar o dono dos cofres. Para isso precisa de, pelo menos, dois fiéis ajudantes.

Já os selecionou, mas ainda está a verificar se o passado deles é mesmo confiável. Entretanto, com todas as demoras atuais e futuras, é bem provável que os cofres fiquem vazios e as dívidas todos os dias a crescer.

Depois, vamos lá ver quem é que vai para a prisão. Se quem quer dar recompensas ilimitadas de última hora, ou quem cometeu o crime de não aceitar ser tão principescamente recompensado. Ou ainda o escondido.