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afonsonunes

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12 Jun, 2015

A SECA DOS ÚNICOS

 

O país atravessa uma situação de seca extremamente perigosa. Não porque a ministra da chuva não reze o necessário, nem que os seus colegas de partido, não conversem com o S. Pedro sobre esses perigos.

Eles até correm o risco de falar demais com os portugueses e rezar muito, mas sem a fé suficiente para convencer o S. Pedro a mandar uns pingos cá para baixo, que mais não seja para refrescar ideias demasiado áridas.

Os portugueses, de um modo geral, não os entendem. Prometem-lhes chuvas e só recebem trovoadas secas, com raios a cruzar os céus e a incendiar as terras. E isso, é a tal seca das muitas coisas que correm bem.

Temos os únicos homens e mulheres que nos enchem de mimos com as suas palavras de incentivo a agradecer tudo o que nos deram de bom. Mas, o país está cheio de ingratos que só falam de miserabilismo fútil.

Depois, influenciados pela nova telenovela da TVI, o povo não larga a ideia de que só temos, Jorges, Norbertos, Pilares, Neusas, Anas Marias, Mães de Joaninhas, outros e outras. Porque todos são únicos na malandrice.

Acontece que na TVI ninguém prende aquela malandragem. Até porque não teria cadeias suficientes para a meter. É como o Estado. Deixa-os cá fora, porque não tem camas lá dentro. Antes disso, faz uma pré seleção.

É assim um pouco como acontece nos hospitais, onde a admissão não depende da cara do doente, mas da cor da senha que lhe dão. Nas cadeias também devia ser enjaulado, apenas quem tivesse senha cor-de-rosa.

Voltando aos únicos da telenovela, não tardarão a ser todos tramados pela inspetora que lhes anda na calha. Ela não é como os de cá. Basta olhar para ela. Tem cá um narizinho, que cheira o crime logo à primeira.

Para nosso bem, o país precisava de ter alguns daqueles únicos na vida real. Só e apenas porque teríamos a esperança de que eles acabariam por se devorar uns aos outros. E nós, os figurantes, ficávamos livres e ricos.