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afonsonunes

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10 Abr, 2015

A VIDA É UMA...

 

Efetivamente, a vida é sempre qualquer coisa para qualquer pessoa. Mas a coisa e a pessoa variam muito entre si. Há tantas palavras passíveis de completar o título acima. Umas que podem ver-se, outras que não devem.

A última que de certo modo me impressionou foi do cineasta Manoel de Oliveira. Disse ele que a vida é uma derrota. Realmente, a morte derrota-nos a todos. Antes disso, a vida castiga os mais fracos. Até com a morte.

A vida também é uma vitória. Isso acontece sempre que se consegue conciliar o que nos ordena a consciência, com aquilo a que nos obriga quem manda. E maior é vitória, ao conseguir parar os nossos castigadores.

A vida é um monte de esterco, para não dizer uma palavra ainda mais suja. Se acreditarmos nas descobertas e confissões de Paulo Morais, as cadeias deviam despejar-se, para meter lá, todos os que lá deviam estar.

A vida é uma gaita. Gaita que todos têm, mas que poucos sabem tocar. Logo, a gaita não lhes serve para nada. Também lhe chamam pífaro. Com tantos buracos pequenos e apenas um buraco grande para se soprar.

A vida é um sonho para este governo que jurou a si próprio que não acordaria. Sim, porque sempre foi um governo de andar a dormir, sonhando. Bem melhor teria sido se tivesse sonhado, mas acordado.

A vida é um pesadelo para tantos portugueses que já não conseguem dormir. Não é fácil adormecer com um rol de obrigações impossíveis sobre a cabeça. Depois da fome e da rua, a cadeia é uma ameaça permanente.

A vida não é uma regurgitação. Bastaria que Pedro Passos Coelho no-lo dissesse, como o fez hoje perante o homólogo francês. Que não vale a pena estar sempre a regurgitar o que foi feito. Não tem feito mais nada.