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afonsonunes

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03 Mar, 2015

ACABÁ-LA

 

É preciso acabar já o ensaio da tese da cabala, para que passe a ser um verdadeiro espetáculo. Até ontem, nunca em Portugal se vislumbrou um resquício de cabala. Mas, de ontem para cá, ela aí está, em pele de coelho.

De coelho daquela raça que nunca tinha sentido chumbo no corpo, apesar de um ou outro caçador furtivo já ter tentado alvejá-lo, por várias vezes, sempre sem aquela pontaria de mestre atirador. Desta vez, pum, pum!

Foi assim que o coelho alemão, de repente, se transformou num vulgar coelho português. Se a Senhora Merkel vem a saber o coelho que ensinava, certamente levará as mãos à cabeça pelo seu insucesso letivo.

Ela sempre sonhou com um aluno sério, exemplar. Falhou redondamente. Sempre sonhou com um coelho perfeito e, afinal, saiu-lhe um coelho cheio de malina. Sempre sonhou com um exemplo de coelho, e olha.

Mas não é por causa disso que senhora Merkel se vai demitir. Até porque sabe que o seu aluno coelho, também não vai demitir-se de ser coelho por levar umas chumbadas. Demissão, só se não pagasse a renda da sua toca.

Ou, pior ainda, se não pagasse a água e a luz da toca. Como nada disso aconteceu, é coelho e vai continuar coelho. Com algumas imperfeições, mas tudo o que se diz, não passa de uma cabala. E ele vai acabá-la.

Se o coelho fosse homem, a coisa fiaria mais fino. Pegaria na espingarda e lá vai disto contra quem lhe pôs em causa a honra da sua raça. Porque, se fosse homem, poderia ter muitos defeitos, mas seria perfeito na pontaria.

E então se fosse ministro, nunca se demitiria por não pagar a taxa da televisão, como aquela ministra nórdica. Isso não é ser daquela raça de pagar continhas e deixar as contas para depois. Raça de coelho não é isso.

Agora, se fosse primeiro-ministro, seria certamente um cidadão cheio de virtudes, mas seria um governante cheio de defeitos, que mais não fosse para mostrar que em Portugal há cabalas. E mostrar-se capaz de acabá-las.