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afonsonunes

afonsonunes

05 Nov, 2015

Acordar

 

Acordar pode ter a ver com o tal acordo que nunca mais se concretiza. Isso não teria relevância nenhuma se os cidadãos que andam a dormir, acordassem bem-dispostos, sem aquelas azias provocadas pelo nervoso.

Há por aí gente acordada que já não dorme há tempos infindos. Treme por todos os lados, tomada por aquele nervoso que já deixou de ser miudinho, para quase atingir o grau de convulsões. Oh, mas que perigo.

Ora, se as pessoas andam acordadas, é porque já fizeram o seu acordo com o sono, para que as deixassem em paz. Depois, é só esquecerem os desacordos que têm suportado e acordarem para uma vida mesmo nova.

Fazer um acordo inovador pode ter a vantagem de acordar os dorminhocos que tanto se têm queixado de que isto nunca mais muda, que são sempre os mesmos, que ninguém faz nada. Pois, acordem de vez.

Para aqueles que se lamentam que o acordo vai correr mal, pensem positivo. Isto já anda a correr pessimamente há uma eternidade. Pois então, tentem acordar agora. Se sair mal outra vez, paciência. É o destino.

Isso de dizer que nunca aconteceu uma coisa assim, é bom sinal. É caso para dizer: finalmente! Quando se viu a revolução dos cravos na rua, também nunca se tinha visto nada assim. E foi um exemplo para o mundo.

É evidente que houve quem não gostasse e quem ainda não encaixe que o povo então acordou. Parece-me que muitos desses são os mesmos. Talvez aqueles que nunca acordaram, nem querem acordar agora. Mas, é a vida.

Se estão contentes com o que têm tido, então não passem a vida a lamentar-se. Mostrem-se entusiasmados, façam festas, mandem rezar missas de ação de graças e se o acordo falhar, chamem a banda e dancem.

Agora, se o acordo vier mesmo, não desanimem muito. Vem aí o Carnaval e é costume dizer-se que ninguém leva a mal. Os costumes do Carnaval são para manter. Quanto aos outros, os costume já não são o que eram.

Sobretudo, aqueles que apodreceram debaixo de novos acordos, ou ficaram obsoletos e soterrados sob novas regras ou leis que as sociedades foram acordando. Porque nada nem ninguém ficou a dormir no tempo.