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afonsonunes

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08 Jan, 2016

Afilhados

 

Para haver afilhados tem mesmo de haver padrinhos. E no dia de hoje, quem não sabia ficou a saber, que Ângelo Correia foi o padrinho político de Passos Coelho. Além de padrinho, um grande amigo que lhe deu o inimaginável.

Sabemos que há grandes amigos que tudo dão em nome duma grande amizade. Tudo, menos o que Ângelo Correia deu a Passos: o poder. Isto não é uma dádiva vulgar. É muito mais que milhões em cash, ou em transferências à doida.

Curiosamente, esta dádiva do poder é agora revelada pelo dador, sem que ninguém lhe tenha pedido para o fazer. Mais, acrescentando que essa amizade incomum esfriou, logo após ter sido concretizada a meta do almejado poder.

Estranha esta forma de reconhecimento. Estranha também esta forma de denúncia dessa dádiva, apenas após ela ter sido perdida pelo doado. E mais ainda, denúncia acompanhada de uma recomendação para que haja um castigo.

Ou seja, Ângelo Correia recomenda que Passos seja substituído no partido por Rui Rio, como castigo por, provavelmente, não estar a cumprir, nem ter cumprido, recomendações do seu padrinho amigo. E a amizade virou castigo.

Mas não foi só Passos que foi agora castigado. Segundo o citado padrinho, também Cavaco, ao tempo em que Ângelo dava poder, fora beneficiado com as mesmas benesses que Passos. O benemérito está profundamente arrependido.

Tão arrependido, que aconselha que Cavaco, após deixar Belém, siga para ‘um convento, fazer atos de arrependimento, oração e penitência’. Ângelo Correia não deve ter sido um bom padrinho ou então, nunca foi tratado como tal.

Esquece Ângelo Correia que Cavaco, ao contrário de Passos, sabia tudo, nunca se enganava e raramente tinha dúvidas logo, por que carga de água havia de precisar de um padrinho como Ângelo, que até se deixou enganar por Passos.

Bem vistas as coisas, talvez não fosse má ideia o padrinho Ângelo e os seus dois afilhados fazerem as pazes e rumarem juntos para esse tal convento. Tão pecador é um padrinho assim, como os seus dois afilhados. Todos uns hereges.

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