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afonsonunes

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Depois do salgar das feridas chegou a hora dos mimos e das lérias, já que o país não pode sossegar por um instante sequer. As feridas foram lavadas com água limpa. Ainda não estão saradas e os mimos e lérias estão agora mais divididos.

É assim que vemos na ribalta alguns anões a tentar chegar aos calcanhares de gente de estatura normal, ou mesmo tentando beliscar gigantes que nem para eles viram o olhar. Não lhes respondem sequer porque não lhes dão confiança.

Os políticos derivam agora entre amarguras e cataventos. Há um poderoso catavento que desatou a mudar de direção sem que o vento tenha mudado. Isso logo desencadeou uma luta de amarguras cruzadas sob o rodar do catavento.

Por entre lérias e mimos, só se percebe claramente que há uma mistura de mel com vinagre nas más-línguas, para que ninguém fique demasiado azedo, nem demasiado doce. O catavento roda, o vento não muda e as amarguras ficam.

O catavento diz que nada fará para estragar o que prevê venha a haver de bom para o país. Mas o vento teimoso e amargurado sabe que mais tarde ou mais cedo levará o catavento a entrar na rotina de subordinação à força do vento.

Apesar das juras de fazer o possível, sabe-se que esse possível depende de muitas vontades e de muitos possíveis impossíveis. Essas juras diluídas no tempo, valem o mesmo que as amizades que depressa passaram a inimizades.

O que se passa neste tempo de mimos e lérias, trocados à revelia das suas próprias cumplicidades congénitas, é mais uma iniludível tentativa de, na primeira oportunidade, reabrir feridas e conciliar o catavento com a amargura.