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afonsonunes

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01 Jan, 2015

ANO NOVO BANCO NOVO

 

Os portugueses devem estar felizes por haver muitos concorrentes à compra do Novo Banco. Se os portugueses não estiverem felizes, que se consolem ao menos porque os governantes estão felizes. Muito felizes.

Estou a ponderar ser um dos portugueses que se candidatam à compra do Novo Banco. O quê? Ora bolas, parece que já não posso, pois estou fora de prazo. Uma oportunidade perdida para quem passa a vida a dormir.

Tudo indica que os potenciais compradores estejam à espera de uma pechincha igual à venda do BPN. Por isso é que eu estou aqui a torcer a orelha. Podia ter agora a minha galinha dos ovos de oiro. Um banco meu.

Mas é que nem precisava ter de dinheiro. Fazia como alguns governantes. Pedia um empréstimo a trinta ou quarenta anos a um banco velho. Comprava um banco novo e já está. Como banqueiro, o governo era eu.

Ora aí está como um pelintra como eu, se tornava potencialmente um dos mais importantes do país, quem sabe, o mais importante de todos. Talvez um dono disto e daquilo. Da terra, mar e ar. De submarinos e aviões.

Nada melhor que começar o novo ano a sonhar, pois não é só o governo que sonha. Que sonha com um tontinho entre os dezassete que querem comprar. Mas todos eles, sonham com um vendedor de bancos à borla.

Eu também queria o mesmo. E até estava disposto a cobrir as generosas propostas desses dezassete, o que me parece que não seria difícil. Mas já não posso. Alguém deve ter previsto as minhas intenções e lixou-me.

No entanto, os portugueses não têm que estar preocupados com estes azares. O azar de uns é a sorte de outros. Quem não recebe paga. E a sina dos portugueses não é receber. São solidários, generosos e otimistas.

Perdida a esperança de comprar um banco novo por pouco dinheiro, fui agora acordado para outra realidade. A realidade de quem ajudou a por os bancos à venda. Ou a livrar-se deles depois de lhes esvaziar os cofres.