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afonsonunes

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12 Ago, 2020

Artolas

O país e o mundo atravessam uma fase de difícil decisão sobre múltiplos aspetos das vidas individuais e coletivas dos cidadãos atacados no cerne das suas atividades normais entre existências mais pacíficas ou mais atribuladas.
Agora todas essas atividades se tornaram um pesadelo pelas limitações que um tal 'de bichinho' provocou ao infiltrar-se silenciosamente dentro de cada um dos surpreendidos, provocando tanto mais pânico quanto mais exposto se estivesse aos agora perniciosos afetos.
Houve uma fase em que esse pânico foi silencioso, como que unindo uma espécie de solidariedade penosa baseada no desconhecimento das verdadeiras consequências dos resultados futuros, bem como das origens e das causas que não davam a ninguém argumentos de críticas.
Com o passar do tempo foram surgindo os habituais artolas que sabem de tudo e logo encontraram maneiras e artes de se atirarem aos seus inimigos de estimação apontando culpas pelos insucessos que um monstro desconhecido inevitavelmente sempre provoca.
Como não podia deixar de ser, a saúde passou a ser o centro das atenções, dos receios e da admiração dos cidadãos, ganhando uma simpatia sem limites nos profissionais inexcedíveis no trabalho e na dedicação ao longo de dias e noites intermináveis.
Mas foi também na saúde que um tal de Guimarolas desde um palco onde a oratória facilmente se sobrepôs ao esforço dos profissionais para lhes incutir desejos de se servirem dessa plataforma para atingir fins que em tais circunstâncias catastróficas se tornaram odiosas.
O mesmo aconteceu com a irritante Anarritolas que com o decorrer do tempo e tristes procedimentos lhe foram retirando vigor à garganta, embora episodicamente a veia alaranjada lhe atiçasse a partidarite em lugar da que seria a atitude natural e profissional no momento vivido.
Hoje, aparecem já artolas nos mais diversos setores, da economia ao ensino, do sindicalismo e confederações patronais ao jornalismo, das artes aos desportos, dos humoristas aos comentadores, das TVs aos espetáculos.
Os artolas revoltados e os artolas gananciosos tudo contestam, tudo reclamam como se fossem os únicos atingidos, como se o país apenas existisse para os saciar e insuflar na sua sede de protagonismo.