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afonsonunes

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20 Jan, 2015

AS DUAS DONAS

 

Conheço-as perfeitamente, apesar de não ter andado com elas na escola nem ter contactos de privacidade com nenhuma delas. Mas garanto que elas são bem senhoras dos seus narizes e não gostam de ser confundidas.

A D. Efetiva é do tipo governanta de uma casa que não é só dela, mas que detesta que não seja ela a ditar as regras internas de convivência. A D. Preventiva não perde muito tempo a ouvir a conversa da D. Efetiva.

Aliás, para conversa já bem basta a da vizinhança. Conversa de comadres que são capazes de passear as línguas viperinas por quem lhes apetece, com o espírito vingativo que elas não têm sequer a coragem de justificar.

Mas não são só as vizinhas da D. Preventiva e da D. Efetiva, nem são só os seus amigos e amigas, as vítimas desses estapafúrdicos e indecentes falatórios. Porque julgam que são, e sempre foram, melhores que elas.  

A D. Efetiva tem uma inveja dos diabos por causa dos privilégios que, quem está de fora, quer atribuir à D. Preventiva. Esta alega que o facto de estarem ambas sob o mesmo teto, devem repartir as tarefas da casa.

Os senhorios, uma sociedade anónima bem referenciada, já lhes garantiu que não quer perder tão boas inquilinas. E até já lhes manifestou que, na impossibilidade de lhes trocar os nomes, as vai manter assim para sempre.

E não escondeu o desejo de que elas possam vir a alternar as tarefas de limpezas e o uso das respetivas vestes e calçado. Aconselharam mesmo a que mobilizassem ratos e ratazanas para fazerem as necessárias pressões.

Não é difícil concluir que, se não houver possibilidade de a D. Preventiva passar a chamar-se D. Efetiva, é uma boa alternativa, tê-la como está. Se não puderem dar um murro na cara, darão sempre um pontapé na perna.