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afonsonunes

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14 Nov, 2015

As duas horas

 

O presidente já teve a sua hora de resolver o problema colocado pelo resultado das eleições. Disse, depois dela, que era chegada a hora do parlamento. O parlamento decidiu e o presidente voltou a ter a sua hora.

Neste momento já lá vão semanas após as ‘duas horas’ que já tivera. E, pelos vistos, iremos entrar no mês e o que mais adiante se verá. Como entretanto se vão meter os dias da Madeira, sobram horas para outros.

Outros que, como não perdem a esperança de recuperar o que perderam, perdem-se agora nos meandros de uma campanha que até parece de canalha que não sabe pensar. Mas sabe perfeitamente que não tem razão.

E quem não tolera não ter razão, envereda pelo caminho desesperado da ordinarice. Daí que, tal como eu agora, não se coíba de empregar adjetivos impróprios de gente civilizada. Então, lá vai troco em moedinhas.

Ouvem-se por aí burrices como: a extrema-esquerda não pode governar. E eu pergunto: e a extrema-direita pode? É que em Portugal, só há uma extrema. Irredutível, agressiva, ordinária. Não incluo a que é só direita.

Ser de direita ou de esquerda é opção legítima de cada um. A extrema-esquerda já deixou de ser extrema em muitos aspetos. Foi assim na Grécia e está a ser assim em Portugal. Uma coisa é protestar, outra é ser realista.

Esta extrema-direita que se arroga o direito de ofender quem não lhe segue a canalhice, é uma fábrica de disparates e parvoíces. É que só os burros não mudam. E esta extrema não é capaz de mudar um milímetro.

De lamentar, que em termos de comunicação social se aplauda tudo o que ela diz e faz, fazendo de conta que tudo é democracia e tudo é direito de informar. Ao menos que informassem sobre o lado oposto de forma igual.

É esta crispação, esta guerra suja, que não devia nem podia existir, se não houvesse estas horas, estas semanas ou meses de deixa falar, que eu gosto de ouvir. Há crimes ou irregularidades, há o Tribunal Constitucional.

Mas há duas coisas que deviam ficar bem claras. Uma delas é que há quem tenha jurado cumprir e fazer cumprir a Constituição. Outra, é que há quem julgue poder substituir a sua interpretação pela sua vontade.

Se tudo isto fosse cumprido e esclarecido em devido tempo, não havia tanta canalha a falar de canalhices, nem tantos ordinários a falar de ordinarices, nem tão pouco, tantos burros a escoicear em gente séria.