Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

01 Fev, 2015

AS TRÊS MARIAS

 

Esta não é uma história de crianças, nem tão pouco a divulgação de qualquer coisa sigilosa. Gosto muito de crianças mas não as utilizo para ofender adultos. Também respeito o sigilo, mas não me desculpo com ele.

De Espanha veio uma frase que é muito semelhante ao conteúdo das que falaram de crianças e sigilos. Por lá, ouviu-se dizer que detetaram uns tristes a fazer aquelas coisas a que por cá se chamaram coisas de crianças.

Porém, eu vou falar de três Marias. Não é propriamente de Marias que vão com as outras. Não senhor, elas vão umas com as outras. São amigas. Trata-se da Maria Joaninha, da Maria Candidinha e da Maria Morgadinha.

Na verdade, elas são amigas dos seus amigos, o que não quer dizer que sejam amigos comuns. A Joaninha foi a última a entrar para o trio. Veio de longe e logo arrumou a Candidinha na prateleira, por causa de um amigo.

A Morgadinha era uma espécie de Maria rebelde, sempre a contestar e a manifestar o desejo de arrumar aquela casa. Com a chegada da Joaninha calou a boquinha e ficou a olhar para a Candidinha na sua prateleirinha.

Ficou a ideia de que a Morgadinha, de tanto olhar para a prateleira, acabou por se habituar à ideia de que a caladinha era a melhor. E nunca se lhe ouviu mais aquela constante contestação de tudo o que via ao redor.

Agora está tudo bem. A Candidinha já mudou de vida, diz que fez tudo bem, mas a bota não bate com a perdigota. A Joaninha entende que ela fez tudo mal. Uma delas não está de consciência tranquila. Vá lá saber-se.

Dos amigos delas não me apetece falar. Tenho o pressentimento de que a Morgadinha podia dar uns pontos nestas amizades todas. Mas ela calou-se. Paciência. Estou mesmo a ver que ela não quis acabar na prateleira.

Termino como comecei. Esta não é uma história de criancinhas, nem de uns tristes que andam por aí. Juro que ninguém me contou nada, logo não estou a trair ninguém. Esta é a história de três Marias do nosso país real.