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afonsonunes

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14 Jun, 2019

Assaltos

Há partidos e cidadãos que estão muito preocupados com as diligências que as autoridades levam a cabo para que os direitos e deveres de todos os contribuintes sejam efetivamente garantidos, para que não haja favorecimentos a uns e castigos a outros.

Sobretudo o fisco tem estado debaixo de fogo por tentar que toda a carga fiscal não recaia apenas sobre aqueles que são cumpridores. Porém, os incumpridores queixam-se dos meios usados para o assalto. Diz o povo que onde todos pagam tudo sai mais barato.

E assim, logo vêm aqueles que entendem que o estado, o fisco, está apenas preocupado em assaltar os bolsos dos contribuintes. Muitos deles são exatamente aqueles que consideram que pagar impostos é uma injustiça, mas ainda uma prepotência de quem tem essa obrigação.

Assaltos maiores aos contribuintes são os erros da justiça que obrigam o estado a pagar indemnizações de milhões aos condenados indevidamente, após recursos para a justiça europeia. E quem provoca esses erros nem sequer é moralmente repreendido.

Assalto aos contribuintes são os privilégios concedidos a cidadãos, classes, corporações, sem olhar à justiça relativa entre todos, prejudicando sempre os mais desfavorecidos. O estado social não devia permitir que se distribuam compensações sem olhar às diferenças.

Assalto aos contribuintes são todos os salários e prémios superiores aos do Presidente da República, designadamente os que saem da Segurança Social, onde a grande maioria não vai além de umas centenas de euros. E até dentro destes, há critérios que chocam pelas suas desigualdades.

Ninguém pode compreender que no Estado, haja cargos que são escandalosamente remunerados, com o argumento de que se trata de técnicos altamente especializados. Mas que, mesmo quando falham e provocam grandes prejuízos, ainda recebam prémios escandalosos.

O país precisa urgentemente de ser moralizado. Sem contestar simplesmente a existência de ricos e pobres. Mas o estado social existe para proteger os pobres. E não para dar aos que não precisam, o mesmo que dá aos pobres. E nunca para dar mais a quem, podendo, nada faz.

As imoralidades não aparecem apenas nos políticos, nem estes são todos iguais. Daí que tudo e todos estejam sujeitos, cada vez mais, a apertadas ações de fiscalização, doa a quem doer. A corrupção não é apenas um vício. Tal como a vigarice. São fatalidades que têm de ser combatidas.