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afonsonunes

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Já cantam os tentilhões neste assomo de primavera, ao mesmo tempo que vão pensando em fazer os ninhos, e em quem os vai ajudar a chocar os ovos. Por entre chilreios vão dando umas bicadas nos pares a escolher.

Assim vão os nossos tentilhões politiqueiros. É impressionante o assédio que um bando enorme deles fazem a um só tentilhão que se recusa a ser emparelhado. São tantos a arrastar-lhe a asa que o levam a pavonear-se.

Está na cara que tentilhão não é pavão. Mas também está na cara que muitos dos tentilhões assediadores não têm penas que seduzam sequer uma libelinha. Tentilhão que quer ter sucesso, tem de ter coisa que veja.

Imagine-se o tentilhão Machete, de penas já descoloridas, a querer seduzir o tentilhão Seguro, que até tem idade para poder ser seu neto. E tendo tantos outros pretendentes que andam ao mesmo que Machete.

Até a cabeça abana com tanta presunção, pensar que Seguro o preferiria, depois de tantas negas a tentilhões maiores e muito mais vistosos. Além de terem outro charme no meio do arvoredo onde fazem os ninhos. 

A cabeça de Machete já deve abanar quase tanto como a do ministro Mota Soares, quando fala da sua insegurança social. Com uma cabeça tão instável, o ministro dos pobres só pode pô-los na miséria. Que tentilhão.

Com tentilhões destes e todos os outros que já cantam para os credores, a saída da troica vai ser uma limpeza. De mãos a abanar. Há os que queriam cautelas. Mas a Europa, nem uns míseros caldos de galinha lhes vai dar.