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afonsonunes

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13 Fev, 2014

ATÉ TU, PEDRO!

 

 

S. Pedro está a dar uma ajuda para que o país meta água por todos os lados. Se há tanto tempo que já batemos no fundo, agora que tudo estava a correr tão bem, manda-nos enfiar as galochas e aguentar mais e mais.

Só peço a S. Pedro que não nos mande enfiar o escafandro e nos remeta para a profundeza dos infernos onde já estivemos, embora a seco e com muito calor. Desta vez, não podemos mergulhar no mar dos afogados.

Porém, deixo agora S. Pedro na paz dos santos e volto-me para os vários terráqueos de nome Pedro, para lhes pedir encarecidamente que nos salvem a alma, se não puderam fazer nada para nos poupar o corpo.

Esta ditosa família está a fazer enormes sacrifícios para que os seus parentes mais afastados não tenham que lhes seguir o exemplo. Até hoje, tudo saiu na perfeição. Os Pedros sofrem, mas os fiéis vivem em festa.

 Do Pedro do coelhinho ao Pedro a guiar de branco, passando pelo Pedro motoqueiro, é possível ver e sentir como uma saraivada de pedras nos persegue e, se nos atingem, é apenas para nos coçarem as costas.

Temos tudo para ser um povo feliz. Se acima de nós todos nos protegem, não é relevante que algum Tó, ou Zé, ou Manel, ou João, se sintam frustrados. São irrelevantes, se comparados com os relevados Pedros.

Tempos houve em que os Pedros eram abastados. Viviam à grande e à francesa, com os sacrifícios dos desgraçados. Agora não. Os pobres vivem à portuguesa. Já são os mais elevados. Os Pedros são agora os minguados.

Aliás, se algum dia tivéssemos o azar de os nossos Pedros se preocupassem mais com eles próprios que connosco, bastaria que recorrêssemos a S. Pedro e logo voltaríamos a ser muito felizes.