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afonsonunes

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Podem estar descansados que não vou ao futebol ou, simplesmente, não vou à bola com esta ‘converseta’ de hoje. Mas vou enrolar-me nos meandros do que se passa entre a baliza e as duas bandeirolas de canto.

É que os programas políticos para as próximas legislativas aparecem primeiro em forma de balizas programáticas e têm como meio de defendê-las, guarda-redes que não sabem mais que chutar para canto.

Neste relvado da política usa-se e abusa-se daquela linguagem que o acordo não contempla. Quando as coisas não agradam, lá vai uma ‘merdalhada’ para a frente e, com isso, o ‘merdalhante’ gozou vitorioso.

Quando a merdalhada já cheira mal, ainda que embrulhada em papel colorido, pode até chegar-se à ‘caralhada’, outra defesa de recurso para junto da bandeirola. Essas jogadas tão difíceis até levam a ver estrelinhas.

Realmente, as balizas programáticas são uma confusão total. E depois vingam-se na gramática. Chega-se mesmo ao desplante de se falar muito no acordo, agora obrigatório, sem nunca o ter lido. Deviam era acordar.

Da minha baliza à bandeirola, vai apenas uma ideia. Onde o adversário chuta, eu defendo. Onde ele defende, eu chuto para canto. Depois fala-se muito em balizas. Mas para quê, se ninguém consegue vê-las sequer?

Quanto às bandeirolas que assinalam os limites do campo das discórdias, resumem toda a programação da campanha. As do topo norte afirmam-se simplesmente pelo sim. As do topo sul, contrapõem-lhe apenas um não.

Se alguém quiser linhas programáticas mais simples que estas, ou julgar que há balizas mais leves e expressivas, deve avançar já para detrás da baliza dos seus ases. Mas, sem batota. Não vale ver o que não existe.

Nessa medida, devem ter um respeito absoluto pelo acordo ortográfico que deve regular todas as línguas. É ter argumentos, e não substitui-los por sujar a língua com coisas que aparecem na boca, sabe-se lá como.

É que, pela boca morre o peixe. Quando a poluição é muita, vem a intoxicação. Talvez até o anzol espetado na língua. E depois não há merdalhada nem caralhada que ponham estrelinhas em olhos sem brilho.