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afonsonunes

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Do Oriente até Belém com uma estrelinha muito brilhante a servir de GPS, os três Reis Magos, sábios e divinamente inspirados, vieram adorar o Menino e, provavelmente, afastar dele o Diabo que, já nesse tempo, fazia das suas, sempre que podia.
Claro que nessa altura ainda não podia derrubar reis, e muito menos governos. Agora, o nosso pagem Coelho suspira a todo o momento por esse milagre que está difícil. Não se sabe de onde lhe vem a inspiração, mas dos reis é que não vem.
Porque Baltasar (o rei de Deus) não tem paciência para pagens. Melchior (para quem o rei é luz) nunca gastaria o seu tempo a olhar para um pagem na escuridão. Gaspar (o inspetor) ficou farto de pagens e pirou-se para bem longe deles.
O nosso pagem Coelho tudo fez para que o Diabo viesse em Setembro, tarefa que tanto sucesso lhe deu quando se tornou pagem do rei Aníbal, Mas o reinado deste terminou e com ele o pagem não tardou em ir à vida.
Agora, à beira do presépio, o pagem espera pelos três Reis Magos. Não sei se ele os imagina magros ou gordos. Mas vê neles três carregamentos de mirra (pureza), ouro (realeza) e incenso (fé).
De tudo isso o nosso pagem precisa, muito mais que de pão para a boca. Sobretudo de mirra, visto que de ouro ainda vai conseguindo que os amigos lhe deem umas pepitas. Quanto a incenso, as suas necessidades são menores já que ele tem a sua fé. Porém, até o Diabo terá a sua.
O nosso pagem, enfiado entre o Diabo e os três Reis Magos, de tanto esperar pelas suas imaginárias aparições, já confunde os trajos luxuosos e reluzentes da realza com a vestimenta rafada do mafarrico.
Nesta época natalícia, cujo espírito é de paz e concórdia, o Diabo deve ter-se sentido mal com estes ares de guerra e falsas professias. Daí que tenha emigrado para paragens mais propícias às suas conveniências bélicas.
E o nosso ansioso pagem Coelho talvez tenha perdido uma boa oportunidade de seguir os passos do seu querido guerreiro Diabo, deixando para os portugueses a companhia pacífica dos três Reis Magos.