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afonsonunes

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Efetivamente nesta Europa onde só a Alemanha tem voz ativa e, dentro desta, só o ministro das Finanças determina, há muita garganta de governos e governantes que adoram dizer que todos entram nas decisões.

Até parece que não é evidente que, mais ou menos, todos se curvam perante o que lhes é apresentado pela chanceler e seu patrono Shauble. Se a Alemanha recusa qualquer proposta alheia todos baixam as orelhas.

O presidente francês propôs agora que passassem a ser os seis maiores países a integrar o governo da Europa. Logo se ergueram vozes exaltadas daqueles que nunca tiveram voz, mas se queixam que deixariam de a ter.

Ora, não pode deixar de se ter, aquilo que nunca se teve. Obviamente que limitar direitos é sempre mau. Mas também não se limita aquilo que se não se tem. Hoje, quem manda é apenas a Alemanha. Os outros ouvem.

Dizer que o poder está nos governos europeus no seu conjunto, é uma treta que não ilude ninguém. Hollande quer simplesmente ser um dos seis com voto na matéria. E é preferível serem seis a mandar, que um só.

Embora esta Europa, tal como está, não tenha grandes probabilidades de ser bem governada. Nem com seis, muito menos com um só. Alguém salientava há dias que ela está longe dos tempos dos seus fundadores.

Alguém, que é do dito partido Social Democrata cá do burgo. Como se ele hoje, não fosse um partido Popular, coligado com o dito Popular mas que é Democrata Cristão. Da confusão dos nomes se vê o que se pode esperar.

É sabido que os seus fundadores foram verdadeiros e autênticos Social-Democratas, Socialistas e Democratas Cristãos. Todos eles com convicções políticas muito fortes e com um sentido de estado que hoje já não existe.

E os fundadores dessa Europa, com ideologias diferentes, souberam encontrar maneiras de se entenderem, conversando, discutindo, mas sempre com a Europa no topo do pensamento. Longe vão esses tempos.

De entre todos os que hoje querem mandar, há uma boa parte deles que nem para obedecer servem. Acabam por ser um estorvo a soluções viáveis para uma Europa democrática e solidária tal como ela foi idealizada.

Que pensem nisso, os bazófias de uma democracia que só vê os seus umbigos, os seus bolsos e os seus caprichos. E só pensam em defendê-los com a sua delirante demagogia, convictos de que isso resulta sempre.