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afonsonunes

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Três não são demais mas a verdade é que a nossa política interna anda um bocada bloqueada, sem que se veja uma maneira de provocar um desbloqueamento razoável para a governabilidade do país. É evidente que temos um partido chamado Bloco de Esquerda.
Temos um segundo bloco constituido pelos partidos de esquerda que tem dado o seu apoio ao governo do Partido Socialista desde que este substituiu o governo do PSD e do CDS, os mais destacados partidos de direita. Destacados, sobretudo, pelo bloqueio que impuseram ao país.
E vamos ao terceiro bloco, o mais polémico, para além de ser o mais desejado por muitos portugueses de vários quadrantes, mas também o mais odiado pelos atuais líderes do PSD e do PS. É o chamado Bloco Central que já governou o país. Bem para uns, muito mal para outros.
O Bloco de Esquerda conquistou a terceira posição do espectro partidário português e tem assumido uma postura negocial com alguma relevância junto do PS. Obviamente que por vezes exagera no que exige, esquecendo que nunca ganhou as eleições para governar.
O PS e o PSD são desde sempre os dois grandes responsáveis pela governação do país em democracia. Ambos entendem agora que têm projetos muito diferentes pelo que devem lutar pelas suas alternativas e não procurarem meras misturas de projetos de poder pelo poder.
Marcelo Rebelo de Sousa foi um grande defensor do Bloco Central e foi evidente que desde que assumiu a Presidência da República teve o sonho de concretizar essa aspiração. Costa e Rio, mais próximos do que aparentam, rapidamente esfumaram esse desejo presidencial.
Costa é hoje o político mais clarividente do país, pois tem sabido conciliar interesses tão divergentes como são os que Rio por vezes, no desejo de ser diferente, manifesta claramente à margem do povo e do país. Além da picardia ciumenta dos relacionamentos do PS.
Costa tem tido um papel importantíssimo nos contactos que permanentemente mantem com os seus pares europeus. E tem sabido conviver sabiamente com Marcelo Rebelo de Sousa. Tarefa que nem sempre parece fácil. Mas é inegável que ambos ganham com isso.
Marcelo cometeu, no meu entender, a maior distração do seu mandato quando há dias elogiou a justiça na sua atuação no caso BES/Ricardo Salgado. A justiça já deu vários sinais de que anda em contramão com o país. E o país merecia que o Presidente fosse mais claro e conciso.