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afonsonunes

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21 Nov, 2014

BOA, BLOCO!

 

Nem tudo é sempre mau, ainda que haja quem só veja o seu umbigo. Há quem esteja sempre disponível para condenar definitivamente todos os que lhe criam dificuldades nos seus egoísmos e nos seus delírios.

Para muitos daqueles democratas que até já nos habituámos a ouvir com paciência de santos, os pequenos partidos não deviam ter voz suficiente para criar problemas às iniciativas dos grandes donos da democracia.

Principalmente, àqueles que lá muito no fundo desejavam o regresso ao partido único, do qual nunca perderam a esperança de o vir a reencontrar. Mesmo tendo em conta as dificuldades que encontram para se confessar.

Vem isto a propósito da desastrosa união de dois símbolos da classe política que já devia ter passado de moda nos dois maiores partidos que, aparentemente, se encontram naquela fase de nada terem em comum.

Mas têm, pois têm, ainda que sejam apenas dois senhores de ideias da mesma geração e com os mesmos tiques de uma época em que foram grandes, mas que hoje não passam de pequenos sinais desse mau tempo.

Não é que hoje tudo seja melhor. Pelo contrário, muita coisa está mesmo muito pior, como é bem evidente. Mas há coisas que não voltam mais. Nem esses velhos senhores cristalizados, podem jamais voltar a brilhar.

A tentativa gloriosa de dois desses históricos de mau passado, resultou ontem na aprovação na AR da reposição das malfadadas subvenções. Com grandes cisões nos seus partidos. Mas, com evidente pouca vergonha.

E é aí que aparece o Bloco. Normalmente, com propostas pouco credíveis, no entender da grande maioria dos portugueses. Desta vez, com um sentido de realismo que fez perder o sono aos maiorais da política.

O ‘Bloco desbloqueou o bloqueio’ daquelas cabecinhas tontas que, de sensibilidade popular e justiça relativa, percebem menos que de lagares de azeite. E, depois de uma noite perdida em discussões, lá recuaram.

Moral da história: os pequenos partidos, abafados pela voz dominadora dos que julgam que sabem tudo e tudo podem, também obrigam os seus bem-falantes opressores, a meter a viola no saco. Faz-lhes bem.